'Somente Deus irá me tirar do poder' do Zimbábue, diz Mugabe

Presidente afirma que oposição jamais governará; Morgan Tsvangirai ameaça retirar candidatura presidencial

Agências internacionais,

20 de junho de 2008 | 14h42

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, afirmou nesta sexta-feira, 20, que "somente Deus" poderá fazê-lo deixar o poder. Segundo a agência France Presse, a declaração foi feita durante um discurso em Bulawayo, a segunda maior cidade do país, a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais.   Veja também:    Oposição ameaça sair da disputa no 2.º turno   Partidários de Tsvangirai são queimados vivos no Zimbábue    A ameaça foi feita no mesmo dia em que principal partido de oposição do Zimbábue, Movimento para Mudança Democrática (MDC), afirmou que cogita abandonar a corrida presidencial e não participar do segundo turno das eleições, marcadas para o dia 27 de junho. Segundo a BBC, Morgan Tsvangirai, está sob pressão para retirar sua candidatura diante da crescente violência contra seus partidários.   "O MCD nunca governará este país, jamais", disse Mugabe durante uma reunião com empresários locais. "Somente Deus, quem me elegeu, irá me tirar do poder. Nem os britânicos podem fazê-lo", assegura o presidente de 84 anos e que está há 28 no poder.   Nesta sexta, Tsvangirai falou que os zimbabuanos devem ter esperança e coragem para ir às urnas na próxima semana apesar da violência empregada pelas forças do governo. Segundo o oposticionista, "uma onda de brutalidade" varreu o Zimbábue desde a convocação do segundo turno. A oposição denuncia que mais de 70 de seus ativistas foram mortos nas últimas semanas.   A mensagem do líder oposicionista foi divulgada por correio eletrônico, uma das poucas formas que ele tem de se comunicar com seus eleitores. As tentativas de Tsvangirai de fazer campanha pelo país foram regularmente interrompidas por bloqueios policiais. Ao mesmo tempo, a mídia local, controlada pelo Estado, na prática o ignorou quase totalmente.   Alguns líderes estrangeiros têm manifestado tanta preocupação com a violência que chegaram a sugerir recentemente o cancelamento do segundo turno. Mas Roy Bennett, um integrante do alto escalão do partido, disse à emissora sul-africana e.TV que a violência não fará Tsvangirai abandonar a disputa.   Observadores locais e internacionais acreditam que as eleições da próxima semana não serão livres nem justas, o que levou a questionamentos com relação à sabedoria de se seguir adiante com o pleito.   Tsvangirai enfrentará no segundo turno o presidente Robert Mugabe, que está no poder desde 1980. No início de seu governo, Mugabe era celebrado por defender a reconciliação racial e reerguer a economia do país. Nos últimos anos, porém, ele passou a ser acusado de perpetuar-se no poder por meio de fraudes, de arruinar a economia zimbabuana e de intimidar seus opositores.

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