"Somos 26 milhões de Saddams", diz chanceler iraquiano

Enquanto suas tropas resistem ao avanço das forças anglo-americana no sul do Iraque, o regime iraquiano abriu a frente de guerra psicológica com a exibição de prisioneiros norte-americanos, a aparição pública de líderes dados como mortos ou feridos pelos bombardeios aéreos e os desmentidos de que suas unidades militares estariam se rendendo sem luta. "Os iraquianos limparam os pés com bandeiras americanas e britânicas e a única bandeira que tremulará no Iraque será a iraquiana, onde está escrito ´Allah u akhbar´ (Deus é grande)", disse o chanceler iraquiano, Naji Sabri. "Se a presença de Saddam Hussein causa angústia aos agressores e aos sionistas, podemos dizer que não há um Saddam: somos 26 milhões de Saddams."As imagens dos prisioneiros norte-americanos na TV iraquiana foram precedidas por um pronunciamento do vice-presidente Taha Yassin Ramadan - que alguns serviços de inteligência ocidentais tinham dado como morto durante o "ataque de decapitação" da quinta-feira, que marcou o início do conflito.Outro líder do regime apontado como morto ou ferido nos bombardeios, o vice-líder do Conselho do Comando Revolucionário, Ezzat Ibrahim, também foi mostrado pela TV presidindo uma reunião. Imagens de Saddam numa reunião da qual participava seu filho Qusay também foram exibidas nos últimos dias, numa tentativa de mostrar que são falsas as notícias segundo as quais ambos tinham sido atingidos pelas bombas e mísseis da coalizão. Não há como comprovar, no entanto, que as imagens foram gravadas antes dos ataques.A TV do Catar Al-Jazira também exibiu uma entrevista com o general Al-Khaled al-Hashemi, comandante da 51ª Divisão de Infantaria do Iraque, cujos 8 mil homens teriam se rendido na sexta-feira no sul do país, segundo o Pentágono. O general desmentiu a rendição das tropas e assegurou que a divisão combatia a coalizão nas proximidades de Basra.A TV iraquiana informou também que as baterias antiaéreas do Iraque tinham derrubado um avião britânico. Segundo os aliados, porém, o avião tinha sido derrubado por engano, ao ser atingido por um míssil norte-americano. Ao mesmo tempo, os iraquianos anunciavam a forte resistência e a morte de soldados da coalizão nos combates em Basra, Nasiriya e Najaf. "Agora são as forças invasoras que estão sofrendo ataque e terror", declarou hoje o ministro da Informação, Mohamed Said al-Sahaf. "Nossas forças fizeram fracassar o avanço americano na cidade santa de Najaf." Veja o especial :

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