Sonda leva água aos 33 mineiros chilenos

Trabalhos de resgate de operários a 700 metros de profundidade se estenderão até dezembro

João Paulo Charleaux, Com Reuters e Efe, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2010 | 00h00

SANTIAGO

Serviços chilenos de resgate começaram a enviar ontem água e alimentos por meio de uma sonda aos 33 mineiros que estão há 18 dias soterrados a 688 metros de profundidade na Mina San José, localizada a 800 quilômetros ao norte de Santiago.

O grupo foi localizado no domingo, depois de enviar pela sonda um bilhete escrito a mão. Mas os trabalhos de resgate devem se estender por quatro meses, segundo os especialistas.

"Agora trabalharemos nos desenhos de engenharia e topografia, antes de iniciar a perfuração (para a retirada dos mineiros)", disse André Sougarret, um dos coordenadores das equipes de resgate. Os trabalhadores estão num bolsão de sobrevivência no qual dispunham de oxigênio e reservas de emergência de água e alimentos. Segundo as comunicações que mantiveram ontem com os resgatistas, todos estão bem de saúde. Eles pediram escovas de dente e brincaram, dizendo se não era possível enviar cerveja pela sonda. A senadora Isabel Allende, que teve acesso à ficha médica de um mineiro, disse que eles sobreviveram até agora "com duas colheres de atum e meio copo de leite a cada 48 horas".

Os técnicos esperam agora a chegada de uma sonda sul-africana de 30 toneladas, que perfurará os quase 700 metros até o refúgio no qual os mineiros se abrigaram. Ela deve abrir uma passagem de 60 centímetros de diâmetro, mas só é capaz de avançar apenas 15 centímetros por dia. Outras sete sondas menores estão escavando para manter linhas de suprimento. Por esse canal, eles receberão água, nutrientes super-proteicos - como glicose e gel de hidratação - e medicamentos, principalmente tranquilizantes e remédios contra acidez estomacal.

Ontem, o empresário Alejandro Bohn, um dos donos da empresa responsável pela mina, disse que "dificilmente" conseguirá pagar salários e direitos trabalhistas a seus empregados, entre eles os que sofreram o acidente. "Escutei o que eles disseram e acho isso surpreendente. Eles podem perder a esperança de que o governo ajude uma empresa desse tipo", disse o ministro da Mineração, Laurence Golborne. A mineradora responsável pelas escavações tem um enorme passivo trabalhista e deve ser declarada falida após o acidente. A Mina San José já tinha registrado dois acidentes com mortes desde 2007.

"É possível que a empresa seja usada como bode expiatório de um setor que tem falhas trabalhistas, de segurança e de fiscalização que são estruturais e generalizadas no Chile", disse ao Estado o jornalista e analista chileno Nibaldo Mosciatti. A notícia de que os mineiros estão vivos representa um alento político para o presidente Sebastián Piñera, que assumiu um país duramente afetado pelo forte terremoto de fevereiro, além de um baixo índice de popularidade - 46% em julho, 6 pontos porcentuais a menos que em maio.

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