Ronaldo Schemidt/AFP
Ronaldo Schemidt/AFP

Sonho é escapar com família e curar cicatrizes no Chile

José Víctor Salazar Balza, venezuelano que teve corpo queimado em protesto contra Maduro, faz planos para retomar sua vida

Murillo Ferrari, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2018 | 08h00

Há quase um ano, o estudante venezuelano José Víctor Salazar Balza, de 28 anos, ficou conhecido ao aparecer com o corpo em chamas em jornais de todo o mundo. Na semana passada, a imagem do fotógrafo da France-Presse Ronaldo Schemidt foi escolhida a foto do ano do World Press Photo 2018, um dos prêmios mais importante do fotojornalismo.

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Víctor, que estudava bioanálise e morava com a família no Estado de Bolívar, estava em Caracas para protestar contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Quando manifestantes próximos a ele derrubaram uma moto da polícia, o tanque explodiu, causando-lhe queimaduras de terceiro grau em 60% do corpo e de segundo grau em 12%.

Ele passou por uma série de cirurgias e tratamentos e tenta retomar sua vida, desta vez mais recluso. A irmã mais velha de Víctor, Carmen Salazar, disse ao Estado que o estudante passa a maior parte do tempo em casa, pesquisando formas de deixar o país com toda a família.

“Ele está bem de saúde, fazendo terapia e consultas de rotina com seu cirurgião, mas animado porque quer se recuperar totalmente. O Víctor leva uma vida normal, mas não sai, obviamente, e passa muito tempo em seu quarto, onde se sente mais confortável.”

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Carmen é enfermeira, mas diz ter parado de exercer a profissão por falta de condições básicas. O tratamento de Víctor, segundo ela, só foi possível graças a doações. “Toda vez que precisávamos de um remédio ou de qualquer outra coisa, pedíamos ajuda e conseguíamos doações”, disse. “Só não sofremos com a falta de medicamentos porque pessoas que já haviam passado por isso nos ajudaram muito.”

Segundo ela, o irmão não fala sobre o tema, mesmo entre os parentes. Carmen disse que a crise e a escassez de itens básicos motivam a decisão de deixar o país. “Não dá mais para viver aqui”, afirma. O destino preferido da família é o Chile.

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