Sonia Gandhi volta à Índia em meio a crise no governo

A influente dirigente política Sonia Gandhi voltou nesta quinta-feira à Índia, após passar mais de um mês em tratamento médico nos EUA, período em que o país enfrentou os maiores protestos populares das últimas décadas.

KRITTIVAS MUKHERJEE E PAUL DE BENDERN, REUTERS

08 Setembro 2011 | 08h52

Sonia Gandhi, de 64 anos e origem italiana, comanda o país nos bastidores, e sua ausência causou sérios problemas à coalizão governista do Partido do Congresso, acusado de reagir de forma equivocada a enormes protestos anticorrupção.

"Ela voltou hoje de manhã e está bem", disse o porta-voz partidário Janardan Dwivedi à Reuters. Ele não quis dizer se ela reassumirá prontamente suas tarefas políticas. "Isso vai depender dos médicos", afirmou.

Sonia Gandhi e sua filha desembarcaram longe dos olhos da imprensa. Nenhuma imagem dela foi divulgada desde a viagem aos EUA para uma cirurgia por motivo não revelado, há cinco semanas.

Membros do Partido do Congresso esperam que o regresso dela sirva como uma injeção de moral ao governo, que sofre para aprovar reformas que o primeiro-ministro Manmohan Singh considera cruciais para manter o forte crescimento econômico do país.

Mas analistas lembram que a ausência de Sonia Gandhi, líder máxima do partido, não chegou a afetar a rotina do governo. "Sonia nunca comandou o dia a dia. Ela tem um conjunto de assessores dirigindo o partido, eles estão todos aí. Se Sonia estivesse durante a questão de Anna Hazare, não acho que ela teria sido tratada de forma diferente", disse Sanjaya Baru, editor do jornal econômico Business Standard, e que foi assessor de mídia de Singh entre 2004 e 2008.

Os recentes protestos comandados pelo ativista Anna Hazare, de 74 anos, forçaram o primeiro-ministro a aceitar um rígido projeto de lei contra a corrupção.

A emissora CNN-IBN disse, citando fontes partidárias, que Sonia Gandhi pode precisar de mais um mês para se recuperar. Vários veículos de imprensa disseram que ela tratou de um câncer na clínica Sloan-Kettering, em Nova York.

Depois de viajar, ela promoveu seu filho Rahul, inexperiente em assuntos políticos, para participar da gestão partidária durante a sua ausência. Há ampla expectativa de que ele se torne primeiro-ministro caso o impopular Partido do Congresso mantenha-se ao poder nas eleições de 2014.

Recentes pesquisas mostraram uma forte queda no nível de apoio ao centro-esquerdista Partido do Congresso, e um avanço do Partido Bharatiya Janata, conservador hindu. No entanto, a oposição pressente que convocar eleições antecipadas não seria uma garantia de chegar ao poder.

Numa tentativa de recuperar a iniciativa política, o governo apresentou na quarta-feira ao Parlamento um projeto que revê as centenárias regras fundiárias da Índia, na esperança de que isso satisfaça o eleitorado rural, temeroso de ficar para trás diante da modernização indiana.

A família Gandhi, descendente do primeiro premiê da Índia, Jawaharlal Nehru, é tratada na Índia com um respeito semelhante ao de uma realeza. Outros dois primeiros-ministros saíram desse clã - Indira e Rajiv Gandhi. Apesar do sobrenome, a família não tem parentesco com o herói nacional Mahatma Gandhi, que era um aliado incondicional de Nehru.

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