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Thomas Peter/REUTERS
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Origens do coronavírus: o que se sabe sobre o laboratório de Wuhan e a transmissão animal?

Cientistas revisitam duas principais teorias para tentar determinar se vírus saltou de animais para humanos ou escapou acidentalmente de um laboratório

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2021 | 05h00

WUHAN - Cientistas em todo o mundo estão revisitando um mistério central da pandemia de covid-19: onde, quando e como o vírus que causa a doença se originou? Há duas principais teorias: uma diz que o vírus saltou de animais, possivelmente morcegos, para humanos; a segunda defende que ele escapou acidentalmente de um laboratório de virologia em Wuhan.

Isto é o que se sabe até agora:

Por que um laboratório em Wuhan é foco de interesse?

O Instituto de Virologia de Wuhan é um centro de pesquisa de alta segurança que estuda patógenos com potencial para infectar humanos, causando doenças exóticas e mortais. O laboratório tem feito um amplo trabalho com vírus transmitidos por morcegos desde o surto internacional de SARS-CoV-1 de 2002, que começou na China, matando 774 pessoas em todo o mundo.

A busca pelas origens do SARS-CoV-1 levou anos depois à descoberta de vírus semelhantes em uma caverna de morcegos no sudoeste da China. O instituto coleta material genético de animais selvagens para experimentação em seu laboratório de Wuhan. Os pesquisadores experimentam vírus vivos em animais para avaliar a suscetibilidade humana.

Para reduzir o risco de escape acidental de patógenos, a instalação deve aplicar protocolos de segurança rigorosos, como vestimentas protetoras e super filtração de ar. Mas mesmo as medidas mais rígidas podem não eliminar completamente esses ricos.

Por que alguns cientistas suspeitam de um acidente de laboratório?

Para alguns cientistas, é possível que o descuido de um trabalhador do laboratório possa ter liberado o vírus. O instituto não fica longe do Huanan Seafood Market, apontado no início da crise como o marco zero da pandemia, onde o vírus teria sido transmitido de um animal para um humano.

O mercado também foi o local do primeiro evento "superespalhador" de covid-19. A proximidade entre os dois espaços levantou suspeitas imediatas, alimentadas pela falha, até agora, em identificar qualquer vida selvagem infectada com a mesma linhagem viral. Além disso, as dificuldades levantadas pelo governo chinês nas tentativas de investigação do laboratório despertaram desconfiança.

Embora os cientistas do laboratório de Wuhan tenham dito não possuir nenhum vestígio de SARS-CoV-2 em seu inventário na época, 24 pesquisadores enviaram uma carta à Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitando uma investigação independente e rigorosa. A primeira missão da OMS na China, realizada este ano, não foi a fundo o suficiente, escreveram eles. 

Um informativo do Departamento de Estado dos EUA, divulgado antes da missão da OMS nos últimos dias da administração Trump, alegou, sem provas, que vários pesquisadores do laboratório adoeceram com sintomas parecidos aos da covid-19 ou outras doenças sazonais comuns antes do primeiro caso ser confirmado publicamente em dezembro de 2019.

Quais são os argumentos a favor da teoria de transmissão entre animais e humanos?

Muitos cientistas acreditam que a teoria da origem natural do vírus é muito mais provável e não viram nenhuma evidência científica que sustente a hipótese do vazamento.  Kristian G. Andersen, um cientista da Scripps Research que fez um extenso trabalho com coronavírus, Ebola e outros patógenos transmissíveis de animais para humanos, disse que sequências genômicas semelhantes ocorrem naturalmente em coronavírus e são improváveis ​​de serem manipuladas de certas maneiras.

Os cientistas que defendem a hipótese das origens naturais contam em grande parte com a história. Algumas das novas doenças mais letais do século passado foram atribuídas às interações humanas com a vida selvagem, incluindo a primeira epidemia de SARS (morcegos), MERS-CoV (camelos), Ebola (morcegos ou primatas não humanos) e Nipah vírus (morcegos).

Embora uma origem animal não tenha sido identificada até agora, amostras recolhidas em barracas na seção de vida selvagem do mercado de Wuhan após o surto estavam contaminadas com o vírus, sugerindo a possibilidade de um animal infectado ter estado lá.

Novas informações surgiram nos últimos tempos?

A carta que os cientistas enviaram em 4 de março à OMS redirecionou a atenção para o cenário de vazamento em laboratório, mas não ofereceu nenhuma nova evidência. Nem a prova definitiva de uma origem natural apareceu. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em 26 de maio, disse que sua equipe de segurança nacional não acredita que haja informações suficientes para avaliar que uma teoria é mais provável do que a outra. Ele instruiu oficiais de inteligência a coletar e analisar informações que pudessem apresentar uma conclusão definitiva em 90 dias. /REUTERS

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