Rick Paddock/The New York Times
Rick Paddock/The New York Times

Soterrado em mesquita, indonésio escavou por 12 horas para sair

Quando sentiu o terremoto, Narto Aryadi abraçou uma coluna que o salvou do teto da construção que desmoronou

O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2018 | 05h00

LADING-LADING, INDONÉSIA - Ele estava na fileira da frente rezando com seu cunhado quando a mesquita começou a estremecer. Narto Aryadi abraçou uma enorme coluna e segurou firme.

A coluna quebrou, mas o protegeu da queda do teto da mesquita Jabal Nur, que desabou totalmente. Narto tinha espaço apenas para se virar, mas começou a escavar com um pedaço de destroço, puxando seu cunhado ferido para junto dele.

A distância era de poucos metros, mas levou mais de 12 horas para que Narto conseguisse abrir passagem entre pesadas vigas que caíram. Durante essas horas ele se manteve rezando cada passagem do Alcorão que conseguia lembrar, enquanto escavava e sentia uma brisa perto do chão, indicando que havia uma área aberta.

"Quando amanheceu, agradeci a Deus e percebi que estava vivo", disse em uma entrevista na terça-feira, uma dia após conseguir escapar. Seu cunhado ainda estava hospitalizado.Ele lembra de ouvir as vozes de seus parentes, que o estavam procurando, assim como dos policiais que buscavam sobreviventes.

Narto, de 43 anos, é um dos poucos sobreviventes retirados dos escombros da ilha indonésia de Lombok após o terremoto de 7 graus de domingo.

Somente na terça-feira a família de Narto lhe contou que sua casa e todas as outras do vilarejo tinham sido destruídas.

As autoridades dizem que pelo menos 105 pessoas morreram e 20 mil perderam suas casas. Os danos foram piores nas cidades e vilarejos de Lombok Norte, uma região rural pobre perto do epicentro do tremor. Cerca de três quartos das mortes ocorreram lá.

Algumas construções foram arrancadas de suas fundações e outras desabaram. Casas e lojas foram reduzidas a montes de tijolos, madeira, pedaços de concreto e pedaços de metal retorcidos.

A maioria dos resorts na popular área de Senggigi, mais ao sul, fechou após o terremoto e enviou seus hóspedes para outros lugares. Milhares de turistas que estavam visitando Lombok e as vizinhas Ilhas Gili foram retirados de barco ou de avião. Acredita-se que nenhum estrangeiro morreu em razão do tremor.

Na mesquita Jabal Nur, em Lading-Lading, uma multidão olhava enquanto os socorristas usavam uma britadeira para quebrar o concreto para buscar sobreviventes e retirar corpos. 

Entre os que acompanhavam a operação estava Suharto, de 44 anos, que também estava na primeira fila rezando quando o terremoto começou. Ele conseguiu correr e escapar, mas seu tio, um dos imãs da mesquita, não.

Suharto, que como a maioria dos indonésios usa apenas um nome, disse que mais de 100 pessoas estavam na mesquita e mais de 10 ainda estariam presas.

"Quando olho para o prédio, não consigo acreditar que alguém possa ter sobrevivido", disse.

Como Narto, Muhammad Ma'ruf, de 51 anos, também abraçou uma coluna enquanto a mesquita desmoronava. Ele disse que estava certo de que ia morrer e pediu perdão a Deus.

Mas no seu caso e de muitos outros, ele acabou ficando em um espaço aberto, onde ficava o domo da mesquita. Após alguns minutos eles conseguiram sair. Narto, cuja fuga pareceu milagrosa, tornou-se uma celebridade local. Um dia após seu resgate ele parecia estar em ótimo estado.

Com a mesquita e todas as construções destruídas, o clérigo Orong Nagasari e seus vizinhos se mudaram para uma área próxima, onde agora dormem em barracas de plástico. / THE NEW YORK TIMES

 

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