Soviéticos resistem à extinção no mundo virtual

A União Soviética foi dissolvida há mais de 15 anos. Sua bandeira, seu hino e outros símbolos nacionais desapareceram. Na internet, porém, a URSS ainda resiste. Isso porque o domínio .su (iniciais de Soviet Union) não só continua em funcionamento como, para a surpresa dos usuários da rede mundial de computadores, recebe registros de um número cada vez maior de sites.O registro de endereços na internet foi criado no fim dos anos 80 na Califórnia, mas logo passou às mãos da Iana - Internet Assigned Number Authority, ou Autoridade para Atribuição de Números na Internet. Em 1998, o então presidente americano Bill Clinton criou a Icann - Internet Corporation for Assigned Names and Numbers, ou Corporação para Atribuição de Nomes e Números na Internet - para gerenciar a rede e incorporar as incumbências da Iana.A idéia da entidade era a de manter endereços apenas de países que existem. ''''Usamos uma lista de países reconhecida internacionalmente e nos baseamos nela'''', explicou ao Estado o porta-voz da Icann na Europa, Andrew Robertsson.''''Com o fim da URSS, não havia mais motivo para a manutenção do .su'''', disse. ''''O problema é que a empresa que o registrou, em Moscou, recusa-se a desfazer-se do endereço.''''O conselho executivo da Icann já decidiu encerrar os registros com esse domínio. ''''Não sabemos quando, mas isso vai ocorrer em breve'''', afirmou Robertsson, acrescentando que o objetivo da Icann é limpar a web.Curiosamente, o domínio .su foi registrado pelos soviéticos pouco tempo antes do colapso do país. Nos documentos da Icann, o registro é de 19 de setembro de 1990. Quinze meses depois, a URSS deixava de existir. Cada ex-república soviética ganhou seu próprio endereço. A Rússia passou a usar o domínio .ru.Em Moscou, a Icann confirmou que um movimento de resistência foi organizado para impedir o desaparecimento do domínio .su, que tem hoje cerca de 10 mil endereços registrados. Apenas em 2007, 1.500 sites foram criados por fãs soviéticos. São sites de empresas de turismo (www.blacksea.su), de música (www.metallist.su) e até de partidos políticos.RESISTÊNCIAPara resistir à ofensiva, o administrador do domínio, em Moscou, anunciou que os sites .su seriam barateados. Segundo a Icann, há vários exemplos no mundo de domínios que, desde o início da internet, deixaram de existir: o fim da Checoslováquia foi o fim do .cs; a mudança de nome do Zaire (atual República Democrática do Congo) sepultou o .zr; a unificação alemã aposentou o .dd, usado pela extinta República Democrática da Alemanha; a partilha da Iugoslávia acabou com o .yu.O registro de nomes de países e a manutenção dos domínios estão se tornando tema polêmico. Nos primeiros dias da guerra no Iraque, em 2003, os endereços .iq foram desativados. Muitos países, incluindo o Brasil, alegam que é inaceitável que os registros da rede sejam feitos em uma entidade com sede nos EUA.Para lidar com a situação, uma reunião internacional da ONU será realizada em novembro no Rio de Janeiro. Apesar de o governo brasileiro saber que não conseguirá transformar radicalmente a forma pela qual a internet é regulada, quer garantias de que outros países terão voz mais ativa no conselho da Icann.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.