Rogelio V. Solis/AP
Rogelio V. Solis/AP

Sozinhas, crianças dependem de vizinhos após detenção de imigrantes no Mississippi

Ao saírem da escola, crianças descobriram que os pais já não estavam em casa e então foram levadas a um ginásio comunitário

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2019 | 19h40

MIAMI - Filhos das 680 pessoas que foram presas na quarta-feira em uma grande operação da agência americana de migração, ICE, no sudeste dos Estados Unidos, passaram a noite em um ginásio com a ajuda dos vizinhos.

Na manhã de quarta-feira, a ICE executou sete operações em fábricas de processamento de alimentos em seis cidades do Mississippi. Cerca de 680 imigrantes sem documentos foram enviados em ônibus aos centros de detenção. Alguns serão deportados, outros serão liberados com tornozeleiras eletrônicas.

Ao saírem da escola, seus filhos descobriram que os pais já não estavam em casa. Conforme reportou o canal de televisão local WJTV, vizinhos e desconhecidos se ocuparam deles e os levaram a um ginásio comunitário em Forest, 80 km a leste da capital, Jackson.

Fotos e vídeos mostram crianças chorando, escondendo o rosto, consolando-se umas às outras, sentadas no chão e segurando um pedaço de pizza em um guardanapo.

"Governo, por favor, mostre que tem coração", disse diante das câmeras Magdalena Gómez, de 11 anos, com a voz embargada pelo choro. "Preciso de meu papai e minha mamãe. Meu papai não fez nada, não é um criminoso".

Jordan Barnes, dono do ginásio Clear Creek Boot Camp, colocou o local à disposição para receber dezenas de crianças, e os vizinhos levaram comida e brinquedos.

"Disponibilizamos camas e elas terão comida para que possam passar a noite", disse Barnes à WJTV.

O canal noticiou nesta quinta-feira que os voluntários haviam conseguido enviar todas as crianças que haviam sido alojadas no ginásio a suas casas ou às casas de alguns de seus parentes.

"Essas operações da ICE são planejadas para separar as famílias, difundir medo e aterrorizar as comunidades", escreveu em um tuíte Kamala Harris, em quarto lugar nas pesquisas de opinião sobre os favoritos à indicação do Partido Democrata para as presidenciais de 2020.

Em uma entrevista coletiva na quarta-feira, as autoridades informaram que a operação foi resultado de meses de investigações. / AFP 

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