Srebrenica leva premier holandês à renúncia

O primeiro-ministro da Holanda, o social-democrata Wim Kok, renunciou hoje - uma semana depois de ter sido acusado num relatório oficial de ter falhado na prevenção do massacre de Srebrenica em 1995. A rainha Beatrix pediu a ele que presida um gabinete de transição até a posse de um novo governo - depois das eleições gerais convocadas para 15 de maio.Resultado de cinco anos de investigações oficiais, o relatório acusou Kok, que atualmente vinha exercendo um segundo mandato, e os chefes militares holandeses de enviarem um batalhão despreparado e mal equipado para a Bósnia, a fim de, a serviço das Nações Unidas, garantir a segurança dos habitantes muçulmanos de Sbrenica acossados pelos servo-bósnios. Sob pressão dos sérvios e sem um mandato internacional claro, os soldados holandeses acabaram deixando suas posições e abandonando os muçulmanos à própria sorte. Os sérviços capturaram 8 mil civis, na maioria jovens na idade militar, e os executaram sumariamente, enterrando os corpos em valas comuns.Segundo o relatório, Kok e os militares holandeses agiram movidos "apenas por interesses políticos".Parentes das vítimas do massacre receberam a notícia com frieza. A maioria acha que Kok e os militares deveriam ser punidos. A Holanda é sede do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, que está submetendo vários servo-bósnios a julgamento por crimes de guerra e contra a humanidade.

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