Sri Lanka anuncia que guerra civil está no fim

O Exército do Sri Lanka anunciou esta semana o início da ofensiva final contra o grupo Tigres de Libertação do Eelam Tâmil (LTTE, na sigla em inglês), uma das organizações mais violentas do mundo, responsável pela invenção do homem-bomba. Desde 1976, o LTTE luta pela independência dos tâmeis, etnia que compõe 18% da população do Sri Lanka, uma ilha do Oceano Índico de apenas 25 mil km², um pouco maior que o Estado de Sergipe. Os tâmeis lutam pela autonomia do norte do país. Eles acusam os cingaleses, a maioria da população, de segregação.

JOÃO PAULO CHARLEAUX, Agencia Estado

12 de abril de 2009 | 09h13

Encastelados no poder desde a independência do Sri Lanka, em 1948, os cingaleses monopolizam os mais importantes cargos públicos e os principais postos do Exército. Em 1965, o cingalês foi decretado idioma oficial, apesar de um quarto dos habitantes da ilha pertencerem a outros grupos étnicos. Em 1972, o budismo foi declarado a ?principal religião?, a despeito dos milhares de muçulmanos, hindus e cristãos que vivem no Sri Lanka. As medidas autoritárias provocaram o surgimento de vários grupos rebeldes nos anos 70, dos quais o mais importante foi o LTTE. Ao anunciar um ?golpe final? na guerrilha, o governo cingalês pode estar colocando um ponto final em uma das mais antigas guerras civis do planeta, conflito que matou 70 mil pessoas nos últimos 35 anos.

A ofensiva final teve início em janeiro. Desde então, as tropas cingalesas vêm apertando o cerco contra o LTTE, encurralando o grupo em uma área de 20 km² no noroeste da ilha. O que seria um cerco militar perfeito, porém, criou uma crise humana que os tâmeis comparam ao genocídio de Ruanda, em 1994. Hoje, 190 mil civis estão confinados na estreita faixa que separa as forças rebeldes das tropas do governo. A ONU teme que qualquer novo avanço militar sobre essa faixa se transforme em um ?banho de sangue?. Para o LTTE, esse corredor civil formado na região é a última barreira antes de sua extinção como grupo guerrilheiro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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