Sri Lanka estima em 750 mil o número de desabrigados

Centenas de milhares de pessoas no Sri Lanka abandonaram suas casas e fugiram para locais mais altos depois que um maremoto atingiu o sul e leste da ilha, matando mais de 4.500 pessoas. O governo estima que pelo menos 750 mil pessoas estejam desabrigadas e prevê que o número de mortos deve aumentar, já que há muitas pessoas desaparecidas.A presidente cingalesa, Chandrika Kumaratunga, declarou desastre nacional após gigantescas ondas - provocadas por um terremoto de 8,9 graus - atingirem o Sri Lanka, inundando cidades e vilarejos. "Uma onda de mais de 3 metros de altura atingiu esta área, arrastando tudo, incluindo um táxi de três rodas", disse Piyasoma, de 40 anos, morador de Payagala, cidade a 60 quilômetros ao sul de Colombo.Uma segunda onda atingiu a cidade, devastando a estação ferroviária local. Trilhos foram arrancados e os pavilhões de concreto da estação desabaram. Centenas de moradores estão deixando a cidade e seguindo para locais mais altos, enquanto turistas tentavam chegar a Colombo.A TV local mostrou cenas de devastação: a histórica cidade portuária de Galle ficou debaixo da água depois que as ondas avançaram sobre as muralhas de um centenário forte holandês. Na cidade litorânea de Kalutara, turistas que estavam hospedados em um luxuoso hotel de frente para a praia descreveram como a enorme muralhas de água atingiu a costa.Minas terrestres"Estávamos sentados perto da água quando as pessoas começaram a gritar que uma onda estava vindo", disse o vendedor de automóveis britânico Richard Freeman. "Deixamos tudo para trás e corremos para dentro do hotel. Fiquei muito triste pelo povo do Sri Lanka." Muitos hotéis ao longo da costa - lotados por causa das festas e da alta temporada turística - foram alagados. Um turista francês na sulista cidade de Tangalla disse que sua jovem filha tinha sido arrastada pelas águas. A mídia local informou que minas terrestres colocadas durante as duas décadas da guerra civil no Sri Lanka podem ter sido desenterradas pela inundação. As águas também atingiram o reduto do grupo Tigres de Libertação do Tamil-Eelam, no noroeste. Os rebeldes apelaram por ajuda internacional alertando que a área enfrenta um desastre humanitário sem precedentes.

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