Sri Lanka vota nas primeiras eleições parlamentares pós-conflito

Aliança do atual presidente pretende conseguir dois terços do parlamento

08 de abril de 2010 | 12h40

COLOMBO - A população do Sri Lanka vota uma nova composição do parlamento em meio a forte esquema de segurança, meses depois que o presidente Mahinda Rajapaksa foi reeleito com uma margem substancial.

 

Monitores indicaram um pequeno número de incidentes violentos.

 

É esperado que o presidente triunfe frente a uma oposição dividida. Ele espera uma maioria de dois terços no parlamento. Os resultados saem na sexta-feira.

 

Seu maior rival presidencial e ex-chefe das forças armadas, General Sarath Fonseka, está na disputa apesar de se encontrar na prisão.

 

Fonseka nega as acusações de participar da política enquanto ainda estava no exército e por aquisição ilegal de armas.

 

A principal coalizão de oposição presidida por ele durante a campanha presidencial se dividiu em três principais correntes.

 

Uma é uma nova aliança política liderada por Fonseka. Também na disputa está o principal partido de oposição da Sri Lanka e principal aliança étnica tâmil, que espera conseguir maior apoio no norte e leste do país.

 

Entretanto, Rajapaksa ainda goza de grande popularidade por ter derrotado os rebeldes tâmeis após 26 anos de guerra civil.

 

O enviado da BBC em Colombo, Charles Haviland conta que um bom número de eleitores compareceu em um dos pontos de votação.

 

No entanto, na cidade de Jaffna, de maioria tâmil, residentes dizem que poucos pessoas compareceram às urnas. Em outra cidade ao norte, Vavuniya, ao lado de um grande campo de refugiados, o comparecimento de eleitores pareceu ser mais alto do que nas eleições presidenciais de janeiro.

 

O Centro para Monitoramento de Violência Eleitoral (CMEV em inglês) indica que 160 incidentes relacionados com as eleições aconteceram nas quatro primeiras horas de votação ao redor do país.

 

O centro diz que a maioria das reclamações era contra o partido do atual presidente.

 

"Partidários do governo foram vistos intimidando eleitores", disse um porta-voz do centro, Dissanayake, à agência de nptícias AFP

 

A campanha política foi marcada por baixos níveis de violência similares ao das eleições presidenciais.

 

O presidente nega as acusações da oposição de que a campanha eleitoral não tenha sido justa e livre.

 

Analistas dizem que as acusações não deverão ter impacto nas intenções de voto dos eleitores, que mostram uma clara preferência pelo partido do presidente, o Partido da União e Liberdade do Povo.

 

Os mesmos analistas dizem que o objetivo do presidente, que pretende conseguir dois terços do parlamento - ou 150 cadeiras - permitiria que ele mudasse constutiução.

 

Se isso acontecer, Rajapaksa pretende incluir uma segunda câmara no parlamento para acomodar melhor as minorias - mas descarta o federalismo que muitos tâmeis pedem.

 

Muitos predizem que ele também tentaria elevar o limite atual de dois mandatos presidenciais.

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