Cláudia Trevisan / Estadão
Cláudia Trevisan / Estadão

Status de Porto Rico está em xeque

Neste ano, completam-se 100 anos da concessão da cidadania aos habitantes da ilha, que provocou ao longo de décadas uma migração em massa para o continente

Cláudia Trevisan, Enviada Especial / San Juan, Porto Rico, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2017 | 05h00

Os defensores da transformação de Porto Rico no 51.º Estado dos EUA apresentam a garantia de cidadania americana como um dos principais benefícios da mudança. Neste ano, completam-se 100 anos da concessão da cidadania aos habitantes da ilha, que provocou ao longo de décadas uma migração em massa para o continente. Há mais porto-riquenhos vivendo nos EUA do que no território.

Os que se opõem à mudança sustentam que Porto Rico tem características econômicas, políticas e sociais distintas das do continente e enfrentaria uma série de dificuldades na incorporação. Eles ressaltam ainda que não há nenhuma possibilidade de Washington aceitar a medida, especialmente no atual cenário, em que a ilha está quebrada e os EUA são governados por Donald Trump, um presidente que centrou sua campanha no ataque a imigrantes latinos.

Esses grupos defendem uma saída intermediária, que seria possível com o status de Estado livre associado, pelo qual Porto Rico teria mais autonomia, mas manteria laços com o continente. “Os EUA não gostam de serem chamados de colonialistas, mas Porto Rico continua a ser um território com poucos direitos e poderes”, disse o economista Sergio Marxuach, diretor de Políticas Públicas do Centro para uma Nova Economia. 

Carlos Alberty, professor da Universidade de Porto Rico, faz parte da minoria que defende a independência. Essa opção teve 5,5% dos votos no plebiscito de 2012. Ele critica a falta de autonomia e as distorções provocadas por lei aprovadas em Washington, como a que exige que todo o comércio internacional de Porto Rico seja feito em navios registrados nos Estados Unidos, que possuem um dos mais elevados fretes do mundo.

Com uma renda média anual de US$ 18,6 mil, 46% da população da ilha vive abaixo da linha da pobreza de US$ 12 mil fixada pelos EUA, onde a renda média anual é de US$ 56 mil. A adoção dos padrões americanos na ilha levou a uma elevada dependência de programas sociais, que reduziu a participação na força de trabalho e estimulou a informalidade. 

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