Stédile não confirma prisão de militante em Israel

O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, não confirmou neste Domingo a notícia de prisão de 12 líderes da Via Campesina, incluindo o ativista francês José Bové e o brasileiro Mário Lill, pelo Exército israelense. De acordo com as agências internacionais de notícias, o grupo teria sido detido em Ramallah, na Cisjordânia, após sair do QG do líder palestino Yasser Arafat, ao qual foi entregue uma bandeira do MST. ?A informação que tenho é que o pessoal está no hotel e não pode sair de lá porque é mais de uma hora da madrugada e tem toque de recolher?, disse Stédile, por telefone, do sul do Pará. Nenhum líder do MST no Rio Grande do Sul, onde Mário Lill atua, nem sua mulher, Irene Manfio, tinham qualquer notícia sobre o episódio. ?Ele saiu de casa no sábado, dia 23, para viajar e a gente não conversou mais?, disse neste domingo à noite Irene. Segundo ela, o marido integrava uma missão da Via Campesina ? organização da qual o MST faz parte ? que foi à Palestina fazer uma reunião e prestar solidariedade ao seu povo. ?O dia 30 de março é, para os palestinos, um dia sagrado de luta pela terra.? Além de Mário Lill, também participavam da comissão de estrangeiros a deputada hondurenha Doris Gutierrez e o francês José Bové. No domingo, eles conseguiram entrar no complexo de escritórios de Arafat, apesar do cerco dos tanques israelenses. O líder do MST aproveitou o encontro para entregar uma bandeira vermelha dos sem-terra, que foi exibida pelo general palestino às câmaras do mundo inteiro. Aos 36 anos, Mário Lill integra a coordenação nacional do MST e vive com a mulher e o filho de um ano e meio, Pedro, no município gaúcho de Pontão, no assentamento da Fazenda Anoni, a 340 quilômetros de Porto Alegre. A ocupação da Fazenda Anoni, realizada pelos sem-terra em 1985, representa um marco na história do MST, pois foi nela que o movimento começou a se organizar. Atualmente, 82 famílias vivem com 15 hectares cada nas terras da antiga Fazenda Anoni. Lill formou uma cooperativa com 13 outras famílias para produzir coletivamente. O grupo possui um frigorífico que utiliza para o abate de suínos e bovinos, produz e comercializa leite e planta grãos e legumes para a subsistência. ?Dá para a gente viver?, diz Irene. Apesar da preocupação com a situação do marido, Irene não economiza solidariedade aos palestinos. ?A gente acompanha toda a luta dos palestinos e espera que, algum dia, a paz chegue ao Oriente?, disse ela.

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