STF nega extradição de egípcio acusado de ser terrorista

No primeiro aniversário dos atentadossofridos pelos Estados Unidos, os ministros do Supremo TribunalFederal (STF) recusaram hoje por unanimidade a extradiçãodo egípcio Mohamed Ali Soliman, acusado em seu país departicipar de organização terrorista internacional e deenvolvimento em homicídios e posse ilegal de armas, munições eexplosivos. Com a decisão, Mohamed Ali Soliman ganhou o direito de viverlivremente no Brasil. Antes de ser preso, em abril, ele moravaem Foz do Iguaçú, no Paraná, com a mulher, a dentista brasileiraRucaia Manah, e uma filha pequena. Os ministros do STF resolveram negar a extradição por razõestécnicas, pois entenderam que a instrução do processo pelogoverno egípcio foi feita de forma deficiente. "O governorequerente não juntos os elementos necessários para odeferimento da extradição", explicou o presidente do STF, MarcoAurélio Mello. "Tomamos a inércia como desinteresse." Em depoimento prestado no STF no início do ano, Mohamed AliSoliman negou que tenha participado de ações ou treinamentos deorganizações terroristas. "Sou pobre e nunca fui terrorista,pois todo terrorista é rico", disse na ocasião Soliman aoministro Carlos Velloso, relator do pedido de extradição. O egípcio afirmou que era vítima de perseguição religiosa porter deixado o cristianismo para se converter ao islamismo. Elecontou que, devido ao medo de ser morto no Egito, mudou-se háoito anos para o Brasil, mas antes passou pela Arábia Saudita epelo Paraguai. Mohamed Ali Soliman garantiu que nunca esteve noAfeganistão, país onde ficava a base de treinamento daAl-Qaeda.

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