Strauss-Kahn admite ''falha moral'' e nega estupro

Na 1ª entrevista desde que foi preso, ex-presidente do FMI diz na França que pretendia ser presidente, mas que 'tudo isso acabou' depois de escândalo

, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2011 | 00h00

PARIS

Na primeira entrevista desde a sua prisão em maio, acusado de crime sexual contra a funcionária de um hotel em Nova York, Dominique Strauss-Kahn, o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) reconheceu ontem o episódio como uma "falha moral" de sua parte, mas negou o uso de violência contra a vítima - ecoando a tese de defesa usada por seus advogados.

Ao canal de TV francês TF1, ontem, ele sustentou que manteve relação sexual com Nafissatou Diallo, acrescentando que foi "não apenas inapropriado, mas um erro". Negou que tenha sido agressivo com ela ou forçado a relação - ela o acusou de tê-la atacado quando entrou no quarto do hotel Sofitel para fazer a limpeza.

"Foi uma falha, uma falha "vis-à-vis" à minha esposa, meus filhos e meus amigos, e ao povo francês que depositou em mim a esperança de mudanças", ele disse à TV. "Não estou orgulhoso disso. Me arrependo infinitamente. Nos últimos quatro meses, eu me arrependo a cada dia e não canso de me arrepender", disse, no início da entrevista de 20 minutos.

O socialista que antes do episódio figurava na lista de fortes nomes para a corrida à Presidência, ele disse: "Eu queria ser candidato (na eleição). Eu pensei que eu poderia ser útil. Tudo isso acabou. Acho que não cabe a mim me envolver nas primárias (socialistas)." Questionado se descartava totalmente uma candidatura, disse "veremos".

Strauss-Kahn ficou calmo e não parecia surpreso com as perguntas. "O promotor concluiu que Nafissatou mentiu sobre tudo - não apenas seu passado, que não é importante, como o que aconteceu. "Ela apresentou tantas versões diferentes sobre o ocorrido que não dá para acreditar em uma palavra", disse. As acusações foram retiradas pela promotoria de Nova York em agosto.

Ele classificou de "imaginárias" as alegações da escritora francesa Tristane Banon de que Strauss-Kahn tentou estuprá-la durante uma entrevista, em 2003, argumentando novamente não ter havido "agressão ou violência". / AP e REUTERS

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