BENOIT PEYRUCQ/AFP
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Strauss-Kahn é absolvido em escândalo sexual pela Justiça da França

Acusado de proxenetismo em uma rede de prostituição em Lille, ex-diretor-gerente do FMI escapa da prisão em terceiro escândalo sexual em quatro anos

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2015 | 10h50

PARIS - Dominique Strauss-Kahn, ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), foi inocentado nesta sexta-feira, 12, pelo Tribunal Correcional de Lille, na França, da acusação de proxenetismo grave, pelo qual foi julgado. O veredicto põe fim ao Caso Carlton, o terceiro escândalo sexual que o envolvia desde o Caso Sofitel, em 2011, quando foi preso e acusado de estupro de uma camareira. 

A decisão foi tornada pública após uma última audiência na Justiça de Lille, onde o caso era julgado. Dos principais personagens envolvidos no processo, apenas um acabou condenado. Trata-se de René Kojfer, ex-diretor de Relações Exteriores do Hotel Carlton, que recebeu pena de um ano de prisão, mas em regime aberto. Dominique Alderweireld, dono de casas de show na Bélgica, os homens de negócios Fabrice Paszkowski e David Roquet, os ex-funcionários do Carlton Hervé Franchois e Francis Henrion, o comissário de polícia Jean-Christophe Lagarde e o advogado Emmanuel Riglaire foram inocentados. 

Como o julgamento realizado em fevereiro já indicava, não havia provas de que o Strauss-Kahn fosse um instigador da rede de prostituição, da qual admitiu ter sido cliente. "Ele teve um comportamento de cliente não repreensível no que diz respeito à lei penal", disse o juiz do caso, Bernard Lemaire. "Não podemos imputá-lo um papel de instigador."

Logo após o veredicto, o ex-diretor-gerente do FMI deixou o tribunal por uma porta lateral, sem falar com jornalistas. Seu advogado, Henri Leclerc, atacou os adversários políticos de DSK, membro do Partido Socialista (PS) que era o favorito disparado na pré-campanha à presidência da França em 2012. "Nós sabíamos que o debate contraditório e público mostraria o vazio total desse caso", argumentou. "O julgamento vem apenas desmontar um processo de caráter ideológico."

Strauss-Kahn se livra assim do terceiro escândalo de violência sexual em quatro anos. O primeiro remonta a 14 de maio de 2011, quando o economista, então diretor-gerente do FMI, foi preso pela polícia de Nova York e acusado de estupro pela Justiça após a denúncia feita por uma camareira, Nafissatou Diallo. O Caso Sofitel - que leva esse nome por ter acontecido nas dependências de um hotel da rede de luxo - foi encerrado em um acordo financeiro amigável entre as partes, cujo montante jamais foi revelado. 

 

O único dos três escândalos em que Strauss-Kahn reconheceu responsabilidade foi a agressão sexual contra a jornalista e escritora Tristaine Banon, durante uma entrevista que concedia em fevereiro de 2003. A denúncia de "tentativa de estupro", feita pela suposta vítima em 2011, após o Caso Sofitel, acabou transformada em "agressão sexual" depois que o economista reconheceu em depoimento à polícia ter tentado beijá-la à força. Mas, prescrito, o caso acabou arquivado em 2011.

Ainda milionário, Strauss-Kahn vive hoje como consultor econômico, mas sua carreira universitária e política - ao menos dentro do Partido Socialista - está virtualmente acabada. Ontem uma enquete realizada pelo jornal Le Figaro, de perfil conservador, revelou que 66% dos leitores que opinaram não querer seu retorno à vida política. Outros 34% gostariam de vê-lo de volta.  

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