Strauss-Kahn fica livre de acusação de estupro na França

Ex-diretor do FMI é dispensado por Ministério Público, mas Justiça ainda deve se pronunciar sobre rede de prostituição

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2012 | 03h04

Depois de ser liberado pela Justiça dos EUA de acusações de crimes sexuais, o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn foi dispensado ontem de uma investigação do Ministério Público de Lille, norte da França, sobre o estupro de uma prostituta. O Caso Carlton, como ficou conhecido, deteriorou ainda mais a imagem de Strauss-Kahn. Agora, ele enfrenta uma última batalha na Justiça, que apura sua participação em uma rede de prostituição na mesma cidade.

A investigação havia sido aberta em 21 de maio, depois que procuradores ouviram o depoimento de uma "acompanhante", identificada como Marion. Aos investigadores, ela afirmou ter sido forçada a fazer sexo com o ex-diretor do FMI durante uma orgia em um hotel de Washington, em 2010.

Em seu depoimento, Marion afirmou que manteve relações sexuais com Strauss-Kahn, mas a seguir teria recuado frente ao seu assédio por mais sexo. Apesar da suposta negativa, o economista teria forçado a relação.

O depoimento chegou a ser confirmado por outra garota presente na orgia. Mas, no curso das investigações, Marion entregou ao Ministério Público uma carta na qual voltou atrás nas declarações. Ao descrever de novo a relação com Strauss-Kahn, ela usou a expressão "jogo sexual", o que retirou o peso das acusações. Pela lei francesa, o recuo foi interpretado como a "retirada da queixa" e o processo foi extinto.

Apesar de ter se livrado da investigação por estupro, Strauss-Kahn ainda é acusado de participar de uma rede de prostituição que operava no Hotel Carlton de Lille. O processo foi aberto em novembro de 2011 e envolve ainda políticos e empresários. Os advogados de Strauss-Kahn solicitaram a anulação do processo por vício de procedimento - a definição ocorre em 28 de novembro.

Strauss-Kahn já havia sido liberado pela Justiça de Nova York, onde era acusado de agressão sexual, tentativa de estupro e sequestro da camareira Nafissatou Diallo. À época, ele era cogitado como futuro candidato à presidência da França pelo Partido Socialista (PS).

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