Strauss-Kahn manifesta alívio ''pelo fim de pesadelo injusto''

Ex-diretor do FMI poderá voltar para a França após a Justiça de Nova York retirar as acusações de estupro

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2011 | 00h00

Logo depois de a Justiça de Nova York retirar oficialmente ontem as acusações de estupro contra o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn ele afirmou que viveu um pesadelo injusto nos últimos meses e agora tentará reconstruir a vida com a família na França.

Com a decisão, que foi antecipada pela imprensa de Nova York nos últimos dias, o economista fica livre para retornar para Paris. O passaporte de Strauss-Kahn deve ser devolvido hoje. Desde julho, quando começou a reviravolta no caso, Strauss-Kahn já havia sido liberado da prisão domiciliar e recebido permissão para circular livremente pelos Estados Unidos.

Em maio, quando já estava em um avião no aeroporto de Nova York para viajar para a França, o então diretor do FMI foi preso pelas autoridades americanas. Acusado de estuprar uma camareira do Hotel Sofitel em Manhattan, o economista chegou a ser levado para um presídio antes de conseguir direito à prisão domiciliar, após pagar fiança.

Segundo a decisão da Justiça, com base em relatório da Promotoria de Nova York, não havia como levar o caso adiante pois a camareira Nafissatou Diallo, que dizia ter sido estuprada por Strauss-Kahn, era uma testemunha sem credibilidade por já ter mentido em depoimentos anteriores à Justiça. Ela também apresentou contradições em trechos de sua acusação contra o então diretor do FMI.

Segundo o relatório da Promotoria de Nova York, as evidências físicas indicam ter ocorrido "uma relação sexual apressada e consensual" envolvendo Strauss-Kahn e Diallo. Mas, sem uma testemunha crível, não dá para dizer se ocorreu um estupro. O economista é casado com a jornalista e milionária francesa Anne Sinclair, que pagou todas as custas do processo. Strauss-Kahn e a mulher sorriram quando escutaram a decisão.

Ao deixar a corte, que chegou a ser fechada por alguns minutos depois do tremor de terra que abalou a Costa Leste americana ontem, Strauss-Kahn falou rapidamente com os jornalistas. "Pretendo retornar a meu país (França), mas tenho alguns pequenos assuntos que preciso resolver antes", declarou, sem entrar em detalhes.

Não está confirmado se ele pretende retornar à política. Antes do escândalo, Strauss-Kahn era considerado o principal candidato da oposição para as eleições presidenciais francesas de 2012. "Os últimos dois meses e meio foram um pesadelo para mim e minha família", disse o ex-diretor do FMI em um comunicado.

O advogado de Diallo, Kenneth Thompson acusou a promotoria de "abandonar uma mulher que foi estuprada". Para ele, isso deixará outras vítimas deste tipo de crime mais receosas de procurar a Justiça.

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