Olivier Corsan/Efe
Olivier Corsan/Efe

Strauss-Kahn volta à França sem apoio político

PARIS

, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2011 | 00h00

Na última vez que embarcou em um voo para Paris, o então diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, estava na iminência de anunciar sua candidatura à presidência da França - e, em alguns distritos, sua vitória era considerada certa. Quatro meses depois de ser retirado daquele voo, em Nova York, para responder a acusações de abuso sexual contra uma camareira de hotel, Strauss-Kahn chegou a Paris ontem sem o mesmo apoio.

O ex-diretor-gerente do FMI foi recebido por um grupo de jornalistas que causaria inveja a qualquer político em campanha. Mas uma pesquisa e especialistas indicam que seus dias de política acabaram. Pelo menos por enquanto.

Strauss-Kahn aterrissou na França 12 dias depois de a Justiça de Nova York ter retirado as acusações - que incluíam tentativa de estupro e cárcere privado - após a Promotoria ter lançado dúvidas sobre a credibilidade de Nafissatou Diallo.

Uma pesquisa da empresa BVA feita logo após as acusações terem sido retiradas indicou que 56% dos franceses não gostariam de ver Strauss-Kahn no governo dos socialistas caso o partido vença as eleições de abril de 2012.

Amigos e aliados do Partido Socialista expressaram alívio por ele ter voltado ao país como um homem livre e um apoiador lhe dedicou um trecho de uma ópera de Verdi. Mas integrantes de sua própria legenda que atualmente disputam as primárias começaram a se distanciar. E eleitores franceses parecem querer romper com o homem que, de tão famoso, se tornou conhecido apenas por suas iniciais: DSK.

"Não acho que ele retornará à cena política", afirmou Bichi Attal, morador de Sarcelles, o subúrbio ao norte de Paris que já foi governado por Strauss-Kahn. "Se eu estivesse no lugar dele, pararia com a política e cuidaria de minha mulher, porque ele tem uma grande mulher (a ex-apresentadora da televisão francesa Anne Sinclair)."

O analista político Jean-Daniel Levy, que trabalha com pesquisas de opinião, declarou que nas últimas semanas o povo ainda esteve interessado em fofocas sobre ex-diretor-gerente do FMI, mas o interesse nele como político diminuiu. "Estamos em um período em que os franceses já não falam mais de Strauss-Kahn", disse, afirmando que "não há uma expectativa" de que ele faça uma grande declaração.

Segundo Levy, o mais importante foi que a ausência forçada de Strauss-Kahn da disputa presidencial não aparentou ter deixado nenhum vazio na política francesa: "De um dia para o outro, os franceses se inclinaram em direção a François Hollande (a esperança dos socialistas)."

Ao lado da mulher, o ex-diretor-gerente do FMI acenou em silêncio aos jornalistas, no caminho entre o Aeroporto Charles de Gaulle e seu apartamento na Place des Vosges, em Paris. Quando eles finalmente chegaram em casa, eram tantos os repórteres em frente ao local que ambos tiveram dificuldade de chegar à porta. As imagens deles vestidos casualmente marcaram o desfecho para o caso que se iniciou, para a maioria no mundo, com as fotos de Strauss-Kahn conduzido algemado para fora de uma delegacia de Nova York.

Strauss-Kahn ainda enfrenta uma ação movida pela escritora e jornalista Tristane Banon. Ela alega que ele tentou estuprá-la em uma entrevista em 2003. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.