Sub de Rice pede engajamento do Brasil para a paz mundial

Em seu primeiro dia de agenda pública no País, o número 3 do Departamento de Estado americano, Nicholas Burns, destacou o que classificou como semelhanças entre as duas nações e pediu por uma maior cooperação do País na busca de soluções para desafios globais como o terrorismo. "Os EUA e o Brasil são parceiros naturais. Vocês tem uma sociedade aberta e democrática. Sociedades como as nossas serão sempre bem sucedidas no mundo globalizado", disse Burns nesta terça-feira durante uma palestra para convidados na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo. "Também é verdade que vivemos as mesmas ameaças. Ambos os países tem responsabilidade em lutar por um mundo mais estável e seguro."Abaixo apenas da secretária de Estado, Condoleezza Rice, e de seu vice, John Negroponte, Burns também defendeu o desenvolvimento de biocombustíveis como alternativa aos combustíveis fósseis - o que, segundo ele, limitará o poder de produtores de petróleo "como Irã e Venezuela". Em uma viagem amplamente vista como uma tentativa de neutralizar a influência de Hugo Chávez na América Latina, o alto funcionário americano - que também passará pela Argentina - afirmou que o Brasil está destinado a ter papel de destaque na região e no mundo na estabilização de zonas conflituosas. E adiantou parte do que irá tratar na quarta-feira, durante encontro em Brasília com o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim: "Nós iremos sugerir que o Brasil se imagine como um provedor global de segurança", afirmou, depois de defender uma maior participação do País em forças de paz na África. Também esperada como tema de destaque da passagem do subsecretário pelo País, a Venezuela de Hugo Chávez foi citada apenas indiretamente durante a palestra. "Vocês (países latino-americanos) podem nem sempre concordar conosco, mas imagino que todos queriam ter uma relação com os Estados Unidos. Com exceção do governo da Venezuela - um governo de desunião", criticou. Burns destacou, entretanto, que os EUA não querem conflito com ninguém, "inclusive com o governo de Caracas". "Nós não estamos obcecados com Hugo Chávez, preferimos nos concentrar em nossos amigos. Nós gastamos 98% do nosso tempo focados em vocês", completouNovas relaçõesO subsecretário também prometeu para 2007 um novo relacionamento dos Estados Unidos com a América Latina. "Dois mil e seis foi um ano em que as mentes estavam voltadas para as eleições. Dois mil e sete será uma não de engajamento."Para o ex-ministro de Relações Exteriores brasileiro Celso Lafer, que participou do encontro, a palestra de Burns mostra que os Estados Unidos estão "reavaliando algumas teses de sua diplomacia e do relacionamento com o Brasil". Perguntado se acreditava que os EUA não estão obcecados com a Venezuela, o ex-chanceler buscou uma resposta diplomática: "Com a questão do Iraque, a agenda americana de problemas tornou-se tão significativa que eles podem manter uma posição como essas."

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