Daniel Leal/AFP
Daniel Leal/AFP

Subcontratada do Pentágono ajudou início da pesquisa da Cambridge Analytica

Palantir Technologies pertence ao bilionário Peter Thiel, investidor do Facebook e um dos principais doadores da campanha do presidente Donald Trump

O Estado de S.Paulo

28 Março 2018 | 17h39

Funcionários da Palantir Technologies, empresa do Vale do Silício com contratos com o Pentágono e agências de segurança americanas, estão na raiz da busca da Cambridge Analytica para obter dados de milhões de usuários do Facebook, revelou na terça-feira, 27 o jornal The New York Times. A Palantir pertence ao bilionário Peter Thiel, investidor do Facebook e um dos principais doadores da campanha do presidente Donald Trump, que chegou a assessorá-lo durante a transição de governo. 

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Segundo o Times, foi um funcionário da Palantir que sugeriu aos cientistas da Cambridge Analytica desenvolver um aplicativos de testes de personalidade para celulares para obter acesso a dados de usuários do Facebook e de seus amigos. Essa ferramenta acabou sendo desenvolvida em 2016 e os dados obtidos foram usados pela Cambridge Analytica para direcionar anúncios políticos feitos com dados de psicologia comportamental para eleitores na eleição presidencial americana e no referendo do Brexit. 

“Havia funcionários sêniores da Palantir trabalhando com os dados do Facebook”, disse o cofundador da Cambridge Analytica e revelador das práticas da empresa ao Parlamento britânico. Tanto a Palantir quanto a CA pertencem a bilionários que doaram dinheiro para campanha de Trump – a última pertence a Robert Mercer, um dos principais doadores de Trump. 

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Segundo Christopher Wylie, coube a Alfredas Chmieliauskas, responsável pela estratégia de desenvolvimento de negócios da Palantir, aconselhou pessoas na Cambrige Analytica sobre como obter dados de usuários do Facebook. 

A Palantir primeiro negou envolvimento com a CA, mas posteriormente disse que o contato do funcionário com a Cambridge ocorreu por “vontade pessoal” de Chmieliauskas. “Soubemos que ele agiu por conta própria entre 2013 e 2014 e tomaremos as medidas apropriadas”, disse a Palantir em nota. 

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Documentos obtidos pelo Times e entrevistas dadas ao jornal indicam que Chmieliauskas começou a trocar correspondências com Wylie ainda em 2013. O contato com a Palantir foi sugerido a Wylie por Sophie Schimidt, filha de Eric Schimidt, ex-diretor executivo do Google, que foi estagiária de Wylie numa empresa de inteligência britânica chamada SCL. Nem Schmidt nem a CA quiseram se pronunciar sobre o caso./ NYT

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