REUTERS/Jo Jung-ho/Yonhap
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Submarino americano deixa Seul em alerta 

Chegada do USS Michigan leva ainda mais tensão à região 

Roberto Godoy , O Estado de S.Paulo

15 Maio 2017 | 05h00

O presidente eleito da Coreia do Sul, Moon Jae-in, acredita que a presença do submarino nuclear americano USS-727 Michigan, atracado há 20 dias no porto de Busan, é um fator de preocupação, mais que de tranquilidade. O gigante de aço negro, 170 metros de comprimento e 18,7 mil toneladas, integra a poderosa força-tarefa naval despachada para a região, em abril, pelo presidente Donald Trump, para conter a Coreia do Norte. 

O navio é uma grande máquina de guerra. A vida a bordo é perigosa, mas não é ruim. Leva 154 mísseis de cruzeiro Tomahawk e duas dúzias de torpedos pesados de 533 milímetros. Cada míssil carrega uma ogiva de meia tonelada e pode atingir alvos a até 1,7 mil km de distância, com erro máximo de 50 metros – se o objetivo estiver na metade desse percurso, cerca de 850 km, a dispersão cai para 8 metros. A eficiência pode ser “mal interpretada” e provocar “uma reação precipitada” dos generais de Pyongyang, disse Moon. 

O Michigan é um dos quatro submarinos de sua classe, a Ohio, inicialmente projetado para lançar mísseis nucleares e que, a partir de 2007, foram convertidos para receber armas não atômicas de precisão. Os torpedos Mark 48 NG cobrem 38 km sob navegação eletrônica. A profundidade de mergulho chega a 300 metros. O navio guarda mais um segredo. A tripulação regular de 155 homens pode ser combinada de forma a permitir o transporte de 66 combatentes de times especiais: Seals, marines ou mergulhadores.

O desembarque da tropa é feito com o submarino submerso, por meio de uma câmara de pressão e veículos elétricos que ficam presos ao convés durante os deslocamentos. Os tubos de fogo dos torpedos também são usados para a liberação da força de elite.

 

A Marinha dos EUA procura elevar os padrões da vida a bordo. O casco de 13 metros de diâmetro tem três andares, em alguns pontos quatro, “facilitando a criação de ambientes mais adequados à dimensão humana”, disse ao Estado um engenheiro do estaleiro General Dynamics Eletric Boat, construtor do Michigan e das outras 17 unidades da mesma série em operação. 

Os espaços são modulares – paredes móveis permitem, por exemplo, a formação de um sala de ginástica ou pequeno auditório para exibição de filmes em vídeo. O refeitório se transforma em área de leitura, jogos e em cyber café. 

O pessoal tem acesso a cursos de aperfeiçoamento nas horas de folga. “De qualquer forma é tudo apertado, exigindo de todos rígidas regras de etiqueta de convivência”, sustenta o técnico. 

A culinária é caprichada: lagostas, caranguejos, camarões, grandes bifes de carnes nobres, muitos legumes, frutas e doces; pães e café. O estoque é renovado a intervalos regulares, em pontos de reabastecimento previamente qualificados. Tudo isso é pago à vista. Para essas despesas, o USS Michigan guarda dinheiro em um cofre. Quanto? Só comandante e o 1º oficial encarregado dos suprimentos é que sabem. A informação é secreta.

 

Na península coreana, a flotilha à qual o submarino está agregado é liderada pelo porta-aviões CVN-70 Carl Vinson, seus 6 mil tripulantes, 90 aeronaves, 2 destróieres e 1 cruzador, todos disparadores de 7 diferentes tipos de mísseis, mais um submarino atômico de ataque, o USS Los Angeles.  

 

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