REUTERS/KCNA
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Submarinos são maior ameaça de Pyongyang

Embarcações da Coreia do Norte têm alcance de 2,5 mil km, podem levar ogiva de 700 kg e disparar de uma distância de até 300 km dos EUA

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2017 | 05h00

A ameaça maior do arsenal da Coreia do Norte não está alinhada entre seus 15 diferentes tipos de mísseis, lançados a partir de carretas blindadas ou das monstruosas plataformas móveis de 16 eixos. O perigo real, o míssil Pukgukson Kn-11, espreita a bordo de submarinos das classes Sinpo e T-33. Tem alcance de até 2,5 mil km levando uma cabeça de guerra de até 700 kg. 

Disparados de alto mar, nas consideráveis distâncias entre 500 km e 300 km do território dos Estados Unidos, por exemplo, podem atingir alvos no interior do país depois de um voo de apenas seis minutos. Pouco tempo para a reação a 100% do escudo antiaéreo. A capacidade de ataque do Kn-11 é nuclear, com variantes de explosivos convencionais HE6 e agentes incendiários. 

Segundo a agência nacional de inteligência da Coreia do Sul (NIS), a Marinha de Pyongyang opera uma frota de 70 submarinos de 5 tipos. Alguns deles, antigos modelos da ex-União Soviética, dos anos 60. Mas sete unidades mais pesadas, de 1.830 toneladas de deslocamento, são versões chinesas, modernizadas. Embora não haja informações seguras quantos aos números, ao menos dois navios teriam sido convertidos para abrigar um ou dois silos do Kn-1. O único Sinpo operacional é certamente o portador de uma célula dupla disparadora do míssil de dois estágios, 9,1 metros, 1,5m de diâmetro e 17 toneladas.

O programa norte-coreano de mísseis reconhece a realização de 12 ensaios com o Pukgkson – 5 deles bem sucedidos. O único teste monitorado da ejeção submarina foi considerado um fracasso pelo serviço naval de informações dos EUA, em maio de 2015 – o foguete teria percorrido apenas 100 metros antes de cair no mar, desgovernado. “A média é positiva: o sistema funcionou na maioria das ocasiões e o mecanismo de expulsão do veículo na lâmina de água também”, destaca um engenheiro brasileiro, analista de um grupo empresarial britânico da área de Defesa. O especialista afirma que o comando naval sob controle de Kim, “já deve ter espalhado seus submersíveis por muitos quadrantes, de forma a confundir a observação pela constelação de satélites militares americanos e europeus”.

A tecnologia envolvida é complexa. O míssil é disparado por pressão, imediatamente após a abertura das escotilhas, dentro de uma bolha de ar comprimido que impede o contato com a água. A trajetória dura poucos segundos. No momento em que o pesado SLBM sai do mar, os motores entram em ignição e o sistema eletrônico de guiagem assume o comando da navegação até o objetivo. É provável que o atacante seja localizado e destruído – o que terá pouco importância se tiver despejado seus mísseis. 

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