Submundo das prisões vem à tona

A debandada do regime líbio de Tobruk, cidade do leste do país, trouxe à tona o sistema de terror que sustentava o ditador Muamar Kadafi. O professor primário Haddud, de 55 anos, três vezes detido pelo regime, exaspera-se ao lembrar de como era torturado sistematicamente na prisão - da qual diz conhecer "todos os cantos, todas as frestas". Até hoje ele diz não saber por que motivo foi parar atrás das grades.

, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

O pior, diz ele, eram as semanas trancado numa cela especial, onde era amarrado em uma mesa. "Chamávamos ela de "câmara da escuridão"", afirma Haddud, caminhando pelos corredores do centro de detenção.

Ele conta que a prisão foi um dos primeiros alvos dos opositores. Ao lado de Haddud, centenas de moradores de Tobruk invadiram o centro do poder da ditadura na cidade. Hoje, nas paredes, lê-se "Fim de Kadafi".

"Eles sempre me perguntavam as mesmas coisas, se estava colaborando com estrangeiros", relembra o professor. "Alegavam que eu queria incitar meus alunos contra o governo por meio de propaganda."

Sua última passagem pela prisão foi em 1983. Ele ficou detido quatro anos, sem julgamento nem contato com sua família e, ao sair, descobriu que não poderia mais trabalhar como professor. "A única coisa que podia fazer era ser taxista." / DER SPIEGEL

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