Suborno de US$ 40 mil permite saída do país dos aiatolás

Fuga incluiu passagem por Cuba, deportação do México e longa espera por concessão de asilo em São Paulo

, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2010 | 00h00

Desde 26 de junho do ano passado, após a polícia procurá-lo na casa dos pais, ele passou a viver como um fugitivo em seu país. Segundo seu relato, temia ser morto: "Na segunda visita dos policiais, um deles disse à minha mãe: "Fale ao seu filho gay que nós vamos pegá-lo. Vamos apedrejá-lo e depois processá-lo por traição ao país." Fiquei apavorado. No Irã existe sempre o risco de punição por ser gay. A violência contra homossexuais é uma rotina."

Na segunda tentativa de fuga - a primeira, via Iraque, fracassou -, ele pagou US$ 40 mil a agentes portuários de Teerã para conseguir embarcar num avião da Aeroflot, rumo a Moscou. Saiu como turista, com os cabelos tingidos de loiro e um bilhete de viagem que também previa uma passagem por Cuba.

Em Cuba, os mesmos agentes portuários deveriam entrar em contato e providenciar o encontro com algum escritório da ONU, provavelmente no México. Mas ele ficou abandonado na ilha e ficou lá 50 dias até que as organizações e amigos lhe comprassem uma nova passagem. O bilhete previa passagens pelo México, Brasil, Dubai e, finalmente, Irã. A orientação era para pedir o status de refugiado na Cidade do México.

Na capital mexicana, porém, as autoridades o detiveram e o embarcaram rumo a São Paulo, poucas horas depois de chegar àquele país. "Disseram que eu não tinha visto", disse.

Mohamad aguarda agora o seu passaporte. Ele mora num quarto alugado em São Paulo e deve receber nos próximos dias a visita do companheiro. "No meu país não querem que o cidadão pense. Acham suficiente ler o Alcorão. Eu já li muitas vezes, já discuti o que está escrito ali e digo: não encontrei nada no Alcorão que justifique a violência e a falta de liberdade."

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