Subsecretária da ONU visita região de Homs

Dirigente das Nações Unidas constata que a maioria da população de Baba Amr já abandonou o local, fugindo do Exército

HACIPASA, TURQUIA, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2012 | 03h04

A subsecretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários, a britânica de origem guianesa Valerie Amos, visitou ontem o bairro de Baba Amr, em Homs, intensamente bombardeado pelo Exército sírio, que rechaçou os rebeldes da área na quinta-feira.

Valerie, que pediu às autoridades sírias acesso à área na sexta-feira, e só foi atendida na terça-feira, ficou no bairro durante 45 minutos, acompanhada de uma equipe do Crescente Vermelho - a versão muçulmana da Cruz Vermelha - sírio.

Aparentemente, já não havia muito para ver: "Eles constataram que a maioria dos moradores havia partido", disse Hicham Hassan, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Genebra. As agências humanitárias suspeitam que as forças de segurança queriam "limpar a área" e encobrir vestígios de atrocidades antes da chegada dos observadores.

Histórias macabras continuam emergindo de Baba Amr, onde dois jornalistas foram mortos e outros dois ficaram feridos no dia 22.

O oposicionista Mohamed al-Homsi disse à agência de notícias Reuters que milicianos leais ao regime mataram a facadas na terça-feira sete homens de uma mesma família, incluindo um garoto de 10 anos, e seus corpos foram jogados em uma fazenda.

Moradores de Jabal al-Zawyia, no norte da Síria, afirmaram que as forças de segurança tomaram como reféns 30 famílias, exigindo, para libertá-las, a entrega de três desertores do Exército sírio, que estariam escondidos na área. A informação foi repassada ao Estado por oposicionistas sírios na Turquia.

Segundo os relatos, os desertores são da minoria alauita, à qual pertence o presidente Bashar Assad.

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, general Martin Dempsey, declarou ontem em audiência na Comissão de Serviços Armados do Senado americano que o presidente Barack Obama lhe pediu opções de ação na Síria. O leque inclui operações aéreas de distribuição de ajuda humanitária, monitoramento naval, vigilância aérea das atividades dos militares sírios e o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea.

Nas semanas anteriores, países da União Europeia sugeriram a criação de corredores humanitários para que agências de ajuda internacionais possam levar assistência aos moradores da região de Homs - a mais atingida nos últimos meses pelos bombardeios de Assad. / L.S.

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