Subsecretário diz que fast track não limita capacidade de Bush para negociar

O subsecretário do Comércio dos Estados Unidos, Grant Aldonas, foi diplomático ao comentar a reação negativa, no Brasil, à versão fortemente condicionada do projeto de lei que a Câmara de Representantes aprovou na semana passada, por 215 a 214 votos, autorizando o presidente George W. Bush a negociar acordos comerciais. Por ampla maioria e sem mudanças substantivas, a Comissão de Finanças do Senado endossou a legislação, que, uma vez aprovada no plenário, dará luz verde ao executivo para negociar a nova rodada global de liberalização na Organização Mundial de Comércio (OMC) e a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). "Vi as declarações do presidente Cardoso", disse Aldonas ao Estado. "O importante é saber que várias coisas nas quais o presidente tocou são temas que realmente requerem que nós trabalhemos em estreita consulta com o Congresso dos Estados Unidos, mas elas não limitam o que podemos fazer em termos da mesa de negociação", afirmou o alto funcionário, depois que a Comissão aprovou a Autoridade de Promoção Comercial (TPA), ou "fast track", por 18 votos contra 3. "Há apoio para a liberalização, especialmente na agricultura, como vimos aqui hoje", disse ele. "O que precisamos fazer é (reconhecer) que há certos temas que podemos tratar apenas no âmbito multilateral"."Se fizermos bastante progresso na OMC melhoraremos as perspectivas para a Alca, e vice-versa", disse Aldonas. "Assim, em vez de lembrar que há limites ao que podemos fazer, eu interpreto o TPA como uma licença para ir adiante com a rodada e a Alca, para tentar alcançar algum resultado, especialmente em agricultura". Para ele, o retrocesso que a nova lei agrícola que tramita no momento no Congresso americano representa para a liberalização dos mercados agrícolas não põe em questão a credibilidade dos EUA na discussão do tema na OMC. "Não teremos problemas de credibilidade para continuar a ser fortes defensores de uma reversão da Política Agrícola Comum da União Européia, que é o verdadeiro obstáculo à liberalização do setor", afirmou ele. "O que não quer dizer que não vamos precisar da ajuda do Brasil e do Grupo de Cairns (de grandes produtores agrícolas), de onde vem muito da energia para a discussão dessa tema", completou.Aldonas, que está a cargo da negociações de um acordo de redução da produção mundial de aço com os principais exportadores, indicou que essa é uma área onde os dois países poderão chegar a um entendimento. "O Brasil tem uma indústria siderúrgica eficiente e de classe mundial", disse. O alto funcionário, que iniciou um diálogo com o ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, sobre as restrições ao aço brasileiro no mercado americano, no mês passado, afirmou que "os governos dos dois países reconhecem que precisam trabalhar melhor do que fizeram até agora para identificar tanto os conflitos que existem dos dois lados como o potencial para fomentar relações estratégicas entre empresas de ambos". Na semana que vem, Aldonas chefiará a delegação americana a um encontro proposto por Washington com representantes de países produtores, para discutir a redução da oferta de aço do mercado mundial. Sérgio Amaral chefiará a delegação brasileira à reunião, em Paris. "A questão é saber como podemos trabalhar juntos e de uma maneira que ajudaria a indústria dos dois países - e nós estamos ativamente engajados nessa conversa, particularmente com o Brasil". Aldonas disse que espera receber em Paris "compromissos de redução da capacidade excedente" dos países produtores de aço, baseadas na remoção de distorções que levam à superprodução. Ele não adiantou como a administração Bush responderá às recomendações de imposição, por quatro anos, de tarifas entre 8% e 40% às importações de produtos siderúrgicos nos EUA, que a Comissão de Comércio Internacional fez na semana passada para proteger a indústria americana.

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