Substância pode ter matado milhares na Síria

Evidencias sugerem que algum tipo de "substância" foi usada na Síria e que ela pode ter matado mais de mil pessoas, mas qualquer ação militar em resposta à esse massacre precisa primeiro da aprovação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou o enviado especial para Síria, Lakhdar Brahimi, nesta quarta-feira.

AE, Agência Estado

28 de agosto de 2013 | 14h17

Brahimi conversou com repórteres em Genebra, no momento em que especialistas em armas químicas da ONU estão no subúrbio de Damasco em nova checagem sobre a alegação do uso de gás venenoso no ataque ocorrido próximo à capital em 21 de agosto e ao mesmo tempo em que o Ocidente discute ações militares contra o regime do presidente Bashar Assad.

"Em relação ao que aconteceu em 21 de agosto, parece que algum tipo de substância foi usada para matar muitas pessoas: centenas, definitivamente mais de uma centena, algumas pessoas falam em 300, outras dizem 600, talvez mil, talvez mais de mil pessoas", afirmou Brahimi, que é enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria desde agosto de 2012.

"É claro que isso é inaceitável. Isso é ultrajante. Confirma como é perigosa a situação na Síria e como é importante para os sírios e a comunidade internacional realmente pensar em uma política especifica e séria para este assunto, e buscar uma solução para ele", afirmou o enviado.

Brahimi não informou em que estão baseadas suas informações, mas disse ter discutido o trabalho com a equipe da ONU que busca por evidências de uso de armas químicas na Síria.

O enviado especial chamou de guerra civil a crise mais séria que a comunidade internacional enfrenta, mas acrescentou que qualquer ação militar comandada pelos EUA precisa primeiro da aprovação dos 15 países que fazem parte do Conselho de Segurança da ONU, que tem como membros permanentes o Reino Unido, China, França, Rússia e Estados Unidos, todos com poder de veto. Os Estados Unidos estão se preparando para um possível ataque à Síria, mas o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu aos países mais tempo para tentativas diplomáticas.

"As leis internacionais dizem que ações militares precisam ser tomadas após decisão do Conselho de Segurança", afirmou Brahimi.

Uma intervenção militar certamente vai complicar os esforços de Brahimi de fazer uma segunda conferência de paz para encontrar uma decisão política para a Síria, após a conferencia de ministros do Exterior em junho de 2012, o que não deve ocorrer antes de outubro. Brahimi transferiu sua base de operações para Genebra este mês para trabalhar nesta conferência, mas disse que acredita que ela não deve acontecer antes do final do ano. Fonte: Associated Press.

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