Substância sugere fissão nuclear em reator de usina no Japão

O operador da usina nuclear atingida pelo tsunami no Japão afirmou nesta quarta-feira ter descoberto substâncias em um reator que podem ser resultado de uma fissão nuclear, em um possível retrocesso dos esforços para resfriar e deixar a usina segura.

SHINICHI SAOSHIRO, REUTERS

02 de novembro de 2011 | 10h49

Analistas, entretanto, disseram que o risco de mais radiação é mínimo.

A usina Fukushima Daiichi foi atingida pelo terremoto e tsunami devastadores de março e vem liberando radiação na atmosfera desde então, na pior crise nuclear mundial desde Chernobyl, há 25 anos.

A Tokyo Electric Power disse que descobriu xenônio, uma substância produzida derivada de uma fissão, no reator número 2, e como forma de precaução havia jogado uma mistura de água e ácido bórico, agente que ajuda a evitar reações nucleares.

"Pode-se supor que aconteceu uma criticalidade isolada durante um curto período de tempo a julgar pela presença de xenônio", disse o porta-voz da Tepco Junichi Matsumoto a repórteres.

A criticalidade é o estado em que reações nucleares controladas acontecem. As usinas nucleares aproveitam o calor resultante para produzir eletricidade.

A Tepco disse que ainda estava avaliando a descoberta, mas acredita que qualquer criticalidade foi temporária e já está concluída.

A quantidade de xenônio descoberto era pequena e o combustível nuclear no reator número 2 provavelmente não derreteu de novo, como havia ocorrido no começo da crise, acrescentou a empresa.

"Acreditamos que não haverá impacto no ambiente ao redor mesmo que a criticalidade tenha ocorrido, dado que não houve mudança nos parâmetros da usina... a quantidade de xenônio descoberto é pequena para ter algum efeito", disse uma autoridade da Agência de Segurança Industrial Nuclear.

A Tepco disse que a temperatura e a pressão no reator número 2 continuavam estáveis. A empresa foi bem sucedida em reduzir as temperaturas de três reatores danificados de níveis considerados perigosos e espera declarar um "fechamento frio" --quando as temperaturas se estabilizam abaixo do ponto de ebulição-- este ano.

Em outubro, a empresa havia dito que a quantidade de radiação emitida do complexo havia diminuído pela metade frente ao mês anterior, no mais recente sinal de que os esforços para colocar a usina sob controle estavam progredindo.

Para demonstrar que os esforços estavam caminhando bem, o oficial do governo japonês Yasuhiro Sonoda bebeu na terça-feira um copo de água purificada tirada da usina Daiichi depois de ter sido desafiado por jornalistas a provar que era seguro.

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