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Substituição: A mente do novo conselheiro de Trump

O novo conselheiro de Segurança Nacional de Donald Trump, John Bolton, foi criticado na campanha eleitoral

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

25 Março 2018 | 05h00

O novo conselheiro de Segurança Nacional de Donald Trump, John Bolton, foi criticado na campanha eleitoral por nacionalistas, neoprotecionistas e racistas da alt-right. Mas ninguém tem tanto em comum com Trump em política externa. “O serviço diplomático deveria ser advogado dos interesses americanos, não ficar se desculpando”, disse Bolton em 2007.

Bolton nunca fez parte da turma dos “neocons”, que comandava a estratégia internacional de George W. Bush. Ao contrário, foi ejetado do governo Bush por divergir de Condoleezza Rice, quando ela assumiu o Departamento de Estado. “Os neocons acham que, se o mundo estivesse cheio de democracias, não haveria guerra”, afirmou. “Mas isso é contra o espírito humano.”

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Filho de um bombeiro de Baltimore, ex-colega em Yale do juiz Clarence Thomas (seu amigo), de Bill e Hillary Clinton (“não andava com eles”), Bolton militou na campanha conservadora de Barry Goldwater, em 1964. Despreza organismos multilaterais como a ONU, onde por ironia foi embaixador. Em sua gestão, os EUA saíram do Tratado de Mísseis Antibalísticos, retiraram o apoio à proibição a testes nucleares e se recusaram a aderir ao Tribunal Penal Internacional. “Nossa ênfase deve ser mais na liberdade que na democracia”, escreveu em Surrender is not an option (Render-se não é uma opção).

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Desde o governo Bush, Bolton era favorável a atacar instalações nucleares iranianas e norte-coreanas. Em agosto, defendeu romper o acordo com o Irã. Há um mês, argumentou em favor de um ataque preventivo à Coreia do Norte. Fará o possível para Trump rasgar o tratado nuclear e desistir de encontrar o ditador Kim Jong-un.

Obama também usou dados do Facebook

Não foram só os marqueteiros de Trump que usaram “curtidas” no Facebook para enviar anúncios sob medida a eleitores. Em 2011, a campanha de Barack Obama lançou um aplicativo em que o usuário autorizava a cópia de dados de “amigos” na rede social, depois usados para propaganda. Na época, isso era permitido por regras que o Facebook mudou em 2014 – antes de a Cambridge Analytica (CA) capturar 50 milhões de perfis sem autorização.

Cambridge Analytica, Kit-kat e Hello Kitty

O software da CA foi desenvolvido com base em pesquisas dos psicólogos Michal Kosinski e David Stillwell. Analisando “curtidas” no Facebook, afirmavam se alguém era gay com 88% de precisão, negro (95%) ou democrata (85%). Descobriram associações curiosas entre sentimentos anti-Israel e a preferência por tênis Nike ou chocolates Kit-kat, baixo nível de inteligência e cosméticos Sephora, abertura emocional e a boneca Hello Kitty. Verificaram que as “curtidas” revelavam a personalidade de alguém com mais precisão que seus familiares ou conhecidos.

Maré democrata não garante maioria

A maré continua favorável aos democratas, vitoriosos na eleição especial de um distrito da Pensilvânia que Trump levara por 20 pontos de vantagem. Na última avaliação do Cook Political Report para os 435 distritos da Câmara, 10 mudaram de categoria, apenas 1 em favor dos republicanos. Mesmo assim, será difícil ao Partido Democrata reconquistar a maioria nas eleições de novembro. Segundo o Cook, tem chance razoável em apenas 191 distritos. Nas simulações do blog The CrossTab, os republicanos ficam com 220 das 435 cadeiras.

Pivô da separação de Don Jr.

Quem acompanha os escândalos sexuais de Trump já se acostumou a nomes como Stormy Daniels ou Karen McDougal. Agora, há outro a acrescentar à lista: Aubrey O’Day. Não, a estrela do Celebrity Apprentice não teve um caso com Trump. Foi, segundo a revista US Weekly, o pivô da separação do filho de Trump, Donald Jr., de sua ex-mulher Vanessa.

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