Sucessão de ditador norte-coreano preocupa EUA, diz Hillary

Secretária de Estado diz que mudança de poder pode ampliar a tensão entre a Coreia do Norte e seus vizinhos

Associated Press e Reuters,

19 de fevereiro de 2009 | 11h18

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Rodham Clinton, afirmou nesta quinta-feira, 19, que a situação da liderança da Coreia do Norte é incerta. Além disso, a principal diplomata dos Estados Unidos revelou que seu país está preocupado com a possibilidade de uma crise de sucessão na nação comunista, para substituir o ditador Kim Jong-il. Hillary afirmou que a administração do presidente Barack Obama está bastante preocupada com a hipótese de uma mudança no poder em Pyongyang ampliar a tensão entre a Coreia do Norte e seus vizinhos, conforme os potenciais sucessores se mobilizam para chegar ao poder. Os comentários de Hillary foram feitos a repórteres durante um voo da Indonésia para a Coreia do Sul. Trata-se de um raro, se não inédito, comentário de um alto funcionário norte-americano sobre o fato de os norte-coreanos estarem preparando a sucessão, após relatos de que Kim sofreu um derrame no ano passado. Hillary disse que os sul-coreanos estão particularmente preocupados "sobre o que está ocorrendo na Coreia do Norte, o que a sucessão pode significar, o que isso significa para eles". Além disso, a secretária acredita que os norte-coreanos estão "olhando para nós para usar nossos melhores esforços para tentar colocar a agenda da desmantelamento nuclear e da não-proliferação de volta nos trilhos". Hillary notou que a sucessão, mesmo que pacífica, cria mais incerteza e pode inclusive encorajar comportamentos "mais provocativos, como forma de consolidar poder dentro da sociedade". Hillary está em um tour pela Ásia, em sua primeira viagem internacional como secretária de Estado. Ela seguirá para a China no fim de semana. Em Seul e Pequim, trabalhará para analisar formas de retomar as negociações para o fim do programa nuclear da Coreia do Norte. "Nosso objetivo é elaborar uma estratégia efetiva em influenciar o comportamento dos norte-coreanos, neste momento em que a situação da liderança como um todo está um pouco incerta." Mais cedo, a Coreia do Norte acusou os EUA de planejar um ataque nuclear, em um relatório divulgado no momento em que a secretária de Estado norte-americana voa a Seul para discutir maneiras de neutralizar a ameaça militar norte-coreana. Este é o mais recente de uma série de episódios em que a Coreia do Norte utiliza uma retórica raivosa. O país já disse estar pronta para uma guerra contra a Coreia do Sul. "Os quartéis belicosos dos Estados Unidos estão avançando em seus preparativos... numa tentativa de fazer um ataque nuclear preventivo", disse a mídia oficial norte-coreana. "Os Estados Unidos falam de 'diálogo' e de 'paz' na península coreana, mas, na verdade, querem aumentar o confronto militar", disse um artigo no jornal do partido comunista do país, segundo a agência de notícias KCNA. Nas últimas semanas, o Norte tem ameaçado reduzir o Sul a cinzas. Acredita-se que o país esteja planejando lançar seu míssil de mais longo alcance - que pode chegar ao território norte-americano. Analistas dizem que tudo isso faz parte de uma estratégia para pressionar Seul e chamar a atenção do novo governo norte-americano. O ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul avisou que tal lançamento seria motivo para sanções e mais isolamento. As duas Coreias, tecnicamente, ainda estão em guerra, já que nunca chegaram a um acordo formal de paz para encerrar o conflito que durou de 1950-53. Seul também cortou a ajuda ao vizinho, porque Pyongyang tem sido devagar no processo de encerramento de seu programa nuclear.

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