Sucesso do Tea Party preocupa os republicanos

Para democratas, triunfo de ultraconservadores em primárias expõe a divisão de rivais históricos

Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

Na disputa interna do Partido Republicano, mais um candidato da ala ultraconservadora, o chamado Tea Party, venceu a eleição primária da legenda na noite de segunda-feira e juntou-se aos que vão disputar as cadeiras no Senado e na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos nas eleições de 2 de novembro.

Longe de indicar mais fôlego para os republicanos na busca pela maioria no Congresso, a escolha de nomes do Tea Party trouxe preocupação aos líderes da legenda e celebração nas fileiras do Partido Democrata, base do presidente americano, Barack Obama.

Ontem, a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi (Califórnia), considerou "muito positiva" para os democratas a indicação da ultraconservadora Christine O"Donnel como candidata republicana ao Senado pelo Estado de Delaware.

O líder dos democratas na Câmara, deputado Steny Hoyer (Maryland), avaliou que esse resultado acentuará a já profunda divisão interna entre os republicanos e deve "machucá-los nas urnas".

"A irritação nas fileiras republicanas terá implicações práticas nos resultados do que vier a ocorrer em novembro", afirmou Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca.

A vitória de O"Donnel, na verdade, foi considerada como uma zebra. Com o apoio da líder do Tea Party e ex-candidata republicana à vice-presidência em 2008, Sarah Palin, e o reforço de US$ 200 mil do chamado Tea-Party Express na sua campanha, a católica O"Donnel venceu o experiente deputado federal Michael Castle, de linha moderada, com 53,1% dos votos. Em 2 de novembro, ela vai competir com o democrata Chris Coons pela cadeira no Senado deixada pelo atual vice-presidente, John Biden.

"Muita gente disse que nós não podemos vencer as eleições gerais. Sim, nós podemos", declarou O"Donnel, referindo-se ao ceticismo no próprio Partido Republicano e valendo-se do principal slogan da campanha de Obama em 2008.

Com a surpreendente vitória de O"Donnel em Delaware, o Tea Party consolidou candidaturas ao Congresso em Estados conservadores de Utah, Alasca e Kentucky e nos oscilantes Nevada e Colorado.

Mas, ainda na segunda-feira, o Tea Party perdeu a indicação dos republicanos para a disputa pelo governo do Estado de Nova York e pelas cadeiras no Congresso de Maryland e de New Hampshire.

De acordo com pesquisa do site Real Politics, que sintetiza pesquisas eleitorais em todo os Estados Unidos, democratas e republicanos estão em franca disputa pela maioria no Senado, atualmente dominado pelo Partido Democrata. Os republicanos devem conquistar 205 cadeiras da Câmara dos Deputados e os democratas, 193, segundo pesquisas.

Também nas fileiras democratas, os candidatos com tendências mais conservadoras estão ganhando terreno. As pesquisas indicam que 30 dos 34 parlamentares dessa legenda que votaram contra o projeto de Obama de reforma dos Planos de Saúde têm amplas chances de ser eleitos em novembro.

PARA ENTENDER

O Tea Party (Festa do Chá) nasceu no ano passado como uma resposta dos setores radicais da direita dos EUA às propostas de reforma econômica do governo Barack Obama. A inspiração foi a Tea Party de Boston, protestos de colonos americanos em 1773 contra a taxação imposta pela metrópole. O ato foi um prenúncio da independência dos EUA.

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