Sucessor de Annan pede "unidade" contra crise nuclear

O próximo secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon, pediu nesta sexta-feira que as Nações Unidas adotem uma posição conjunta para contornar a crise desencadeada pelo anúncio do teste nuclear realizado pela Coréia do Norte."É absolutamente necessário que a comunidade internacional envie novamente uma mensagem muito forte, unificada e clara para que a Coréia do Norte não tenha nenhuma tentação de se envolver em novas atividades negativas que possam agravar a situação", disse o diplomata.O pronunciamento do sul-coreano ocorreu logo depois da aprovação pela Assembléia Geral da ONU da indicação de seu nome para substituir Kofi Annan no cargo de secretário-geral das Nações Unidas.Annan deixará a função em 31 de dezembro, e Ban será o primeiro asiático a assumir o cargo desde U Thant, da Birmânia, que foi secretário-geral da ONU de 1961 a 1971.Como ministro sul-coreano das Relações Exteriores, Ban Ki-moon chegou a participar de negociações com a Coréia do Norte sobre o programa nuclear do país.Ao ser indicado para a função de secretário-geral da ONU, o diplomata sul-coreano disse que uma de suas prioridades, assim que assumir o cargo, será visitar a Coréia do Norte.ResoluçãoEm meio à aprovação da indicação de Ban Ki-moon, o Conselho de Segurança da ONU deu seqüência às negociações sobre uma resolução a ser adotada como condenação às atividades nucleares da Coréia do Norte.De acordo com o embaixador americano na ONU, John Bolton, os membros do Conselho de Segurança concordaram em votar neste sábado uma nova proposta de resolução apresentada pelos Estados Unidos.O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, disse, no entanto, que Rússia e China são contra a adoção de "sanções extremas" contra a Coréia do Norte.Para obter o apoio de russos e chineses, o governo americano alterou duas vezes a proposta até chegar ao texto apresentado nesta sexta-feira, que prevê menos sanções e não inclui a cláusula que abriria caminho para uma ação militar.Rússia e China, que têm direito a veto no Conselho de Segurança, resistiam à idéia de um possível uso de força militar para garantir a aplicação de sanções. A nova proposta americana determina que qualquer ação militar exigiria a aprovação de uma nova resolução.EmbargoOs Estados Unidos também abrandaram os termos do embargo de armas, previsto no esboço original da resolução, limitando a proibição de vendas para a Coréia do Norte a armamentos pesados como mísseis, tanques e helicópteros.Mas o trecho autorizando países a inspecionar carga entrando e saindo da Coréia do Norte, em busca de materiais que poderiam ser utilizados na fabricação de armas, foi mantido. A resolução também exige que a Coréia do Norte respeite um acordo de setembro de 2005 em que o país se comprometia a abandonar seu programa nuclear em troca de garantias internacionais de ajuda e segurança. Atualmente presidido pelo Japão, o Conselho de Segurança da ONU tem 15 membros. Cinco países possuem vagas permanentes no órgão e têm direito a veto: Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia.

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