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Sucessor de Bin Laden apoia queda de regime sírio em sua primeira aparição

Ayman al-Zawahiri, novo líder da Al-Qaeda, divulga vídeo em que classifica o presidente Bashar Assad de 'parceiro dos EUA' contra os muçulmanos e tenta demonstrar afinidade entre o grupo terrorista e os ideais da primavera árabe

Reuters, AP, WP e NYT, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2011 | 00h00

O egípcio Ayman al-Zawahiri, substituto de Osama bin Laden no comando da rede terrorista Al-Qaeda, elogiou os manifestantes sírios em um vídeo postado na internet. É a primeira vez que o novo líder da organização usa a ferramenta que consagrou Bin Laden, morto em maio em uma operação dos EUA em Abbottabad, no Paquistão.

O vídeo de sete minutos foi divulgado por sites islâmicos. Nele, Zawahiri transforma a luta dos dissidentes sírios contra o presidente Bashar Assad em uma revolta contra os interesses americanos e israelenses na região. O novo líder da Al-Qaeda chega a classificar o líder sírio como um "parceiro da América na guerra contra os muçulmanos".

"Vocês dão uma lição ao opressor e ao traidor (Assad), lições em sua resistência e na resistência de sua injustiça, corrupção e traição", disse o líder da Al-Qaeda. "Vocês são um exemplo e dão à sua nação árabe e muçulmana lições de sacrifício, de persistência e de luta contra a injustiça."

Zawahiri também não economizou críticas aos EUA e a Israel, tradicionais inimigos. Ele advertiu contra planos de Washington de estabelecer na Síria um novo regime que proteja seus interesses. "Washington tenta hoje estabelecer, no lugar de Assad, que protegeu as fronteiras da entidade sionista, um outro regime que desperdice sua revolução e sua jihad", afirmou. Os EUA endureceram o discurso contra Assad, principalmente depois da invasão no dia 11 da embaixada americana em Damasco por apoiadores do presidente sírio. A secretária de Estado Hillary Clinton disse que Assad "perdeu a legitimidade".

Enfraquecimento. Zawahiri acusa Washington de colaborar com Assad. "Eles (EUA) passaram a apoiar vocês (manifestantes sírios) após ver que o terreno se movimenta pelo seu terremoto de ira e depois que eles (EUA) foram vencidos na Tunísia e no Egito ao perderem dois de seus maiores agentes", disse. Uma das maiores preocupações de analistas é que movimentos islâmicos radicais substituam no poder os ditadores depostos pela primavera árabe.

Na quarta-feira, o Washington Post afirmou que o Pentágono acredita que a morte de Bin Laden e os sete anos de ataques com aviões não tripulados (drones) deixaram a Al-Qaeda à beira do colapso. De acordo com a New America Foundation, os ataques de drones realizados pela CIA na fronteira entre Paquistão e Afeganistão mataram 1,2 mil militantes desde 2004, incluindo 224 este ano.

A reação dos rebeldes sírios às declarações de Zawahiri foi imediata. Representantes de organizações de defesa dos direitos humanos e ativistas políticos rejeitaram o apoio dado pela Al-Qaeda. "Não acredito que algum sírio apoie essas declarações", afirmou Razan Zeitouneh, advogado e ativista que monitora a revolta no país. "A Al-Qaeda está tentando usar nossa revolução para monopolizar de novo as atenções depois que a primavera árabe ganhou evidência."

Para Mohamed al-Abdallah, um dos coordenadores do movimento, as declarações de Zawahiri pretendem apenas legitimar a repressão do governo sírio. "Ao tentar convencer o mundo de que a Al-Qaeda tem simpatizantes na Síria, ele tenta colocar a opinião pública internacional contra o nosso movimento e dá ao regime o direito de cometer crimes contra seu próprio povo."

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