Sucessor de Halutz não estará no relatório sobre Líbano

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, exigirá que o novo chefe do Estado-Maior não corra o risco de ser afetado pelas conclusões da Comissão Winograd, que estuda o conflito de 2006 com a milícia libanesa do Hezbollah.Segundo o jornal Ha´aretz, Olmert tem a intenção de intervir pessoalmente na escolha do substituto do general Dan Halutz, que renunciou na quarta-feira, assumindo a sua responsabilidade pessoal no fracasso da ação militar do ano passado em solo libanês.Fontes governamentais israelenses disseram nesta quinta-feira que o ministro da Defesa, Amir Peretz, é em teoria quem nomeia o chefe das Forças Armadas. Mas, dadas as circunstâncias, os dois estudam possibilidades para garantir uma escolha que ajude a resolver a crise na instituição.Olmert não tem um candidato ideal e deverá convocar seus assessores antes de decidir.A emissora do Exército informou hoje que no processo de seleção Olmert será assessorado pelo líder da oposição, Benjamin Netanyahu, e por ex-generais que entraram para a política.Embora seja um cargo militar, o chefe do Estado-Maior é submetido a fatores políticos. Halutz foi indicado pelo ex-chefe de governo Ariel Sharon, entre outros fatores, por causa de seu apoio ao Plano de Evacuação de Gaza, efetuado apenas três meses após a sua nomeação.Assessores do primeiro-ministro disseram ao Ha´aretz que a nomeação do novo comandante será submetida a um exaustivo debate. Os candidatos com maiores possibilidades são o general reformado Gaby Ashkenazi, atual diretor-geral do Ministério da Defesa e favorito de Peretz, e o general Moshé Kaplinsky, subchefe do Exército israelense e candidato de Halutz.Em condições normais, o chefe das Forças Armadas recomenda ao Governo o seu sucessor, ao deixar o cargo. Mas Kaplinsky participou ativamente das ações do Líbano e coordenou as ações na frente quando Halutz destituiu o comandante-em-chefe da região Militar Norte, o general Udi Adam.Ze´ev Shif, veterano comentarista militar do "Ha´aretz", sustenta em sua coluna de hoje que a escolha do novo chefe das Forças Armadas é crucial e o Governo "deverá levar em conta também quem será o próximo ministro da Defesa".Peretz, ex-dirigente sindical, está na corda bamba, pressionado a também renunciar. Alguns setores criticam a sua inexperiência em assuntos militares. O seu próprio partido, o trabalhista, exige que ele passe para um Ministério da área social.Políticos comentam a possibilidade de o próximo ministro da Defesa ser o ex-primeiro-ministro e ex-chefe das Forças Armadas Ehud Barak, que decidiu voltar à política ativa após seis anos de afastamento.

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