Sucessor de líder foi educado na Suíça

Fã de Michael Jordan, Kim Jong-un virou herdeiro após pai deserdar seu primogênito

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h06

Fã do astro do basquete Michael Jordan, do ator Jean-Claude Van Damme e amante do esqui. Esse é Kim Jong-un, novo líder da Coreia do Norte. Nos anos 90, enquanto 2 milhões de norte-coreanos morriam de fome, ele e outros dois filhos do ditador Kim Jong-il viviam como príncipes em escolas privadas da Suíça.

Kim Jong-un, o mais novo dos três, foi aluno da Escola Internacional de Berna, onde aprendeu inglês, francês e até o dialeto alemão falado na Suíça. Ele é o segundo filho do líder norte-coreano com a dançarina Ko Yong-hi, que não resistiu a um câncer e morreu em 2004.

Na Suíça, a vida dos filhos do ditador norte-coreano é cercada de mistérios. Kim Jong-un deixou o país no ano 2000, mas, segundo a revista L'Hebdo, poucos sabiam sequer que ele havia passado sete anos no local.

Para disfarçar, usou outro nome: Pak Tchol. O pseudônimo serviu para ajudá-lo a evitar a imprensa e não chamar a atenção em Berna, pequena capital suíça com pouco mais de 120 mil habitantes.

Pouco se conhece da vida particular do novo líder supremo além de seus ídolos - os mesmos de muitos adolescentes dos anos 90. Ele seria humilde e simpático com os filhos de diplomatas americanos. Foi elogiado pela direção do colégio por ter ajudado a apartar brigas entre alunos, muitos dos quais herdeiros de algumas das famílias mais ricas do mundo.

Um carro com motorista o buscava todos os dias na escola, algo surpreendente na Suíça, onde as crianças - mesmo as de famílias ricas - costumam andar a pé ou de ônibus.

"Ele era um rapaz tímido e introvertido que gostava muito de esportes coletivos. Ele admirava muito Michael Jordan e o ator Jean-Claude Van Damme", contou à L'Hebdo Ron Schwartz, ex-aluno canadense. Outro hobby do novo ditador norte-coreano era esquiar nos Alpes. Durante o inverno, ele dedicava todos os fins se semana de folga ao esporte.

A ida do herdeiro norte-coreano para a Suíça fez com que seu pai nomeasse como representante do país na ONU, em Genebra, o diplomata Ri Che-ul, que tinha entre suas atribuições prioritárias cuidar de Kim Jong-un.

Ontem, o governo suíço se recusou a comentar o assunto, dizendo que não tinha como saber se o filho do ditador morto de fato esteve no país. Em 2009, houve a confirmação de que o filho de um diplomata norte-coreano havia estudado na Suíça entre 1993 e 2000.

Já o colégio, seguindo a tradição suíça de discrição, anunciou ontem que estava impedido de comunicar qualquer detalhe sobre seus alunos ou ex-alunos.

Outro filho do ditador também estudou na Suíça: seu primogênito, Kim Jong-nam, hoje com 40 anos. Apaixonado por cassinos, ele era considerado o favorito para suceder ao pai. No entanto, foi pego tentando entrar com um passaporte falso no Japão em 2001. Na época, ele disse que queria visitar o parque da Disney em Tóquio.

O filho do meio também estudou na Suíça. Kim Jong-chol, era tido como "afeminado" por pessoas próximas a ele, que também estudou em Berna, nos anos 90, em um colégio que custa mais de US$ 25 mil por ano.

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