Sucessor manteve relações tensas com presidente deposto

Vice-presidente Federico Franco reclamava de isolamento e criticava publicamente as decisões de Fernando Lugo

ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2012 | 03h01

Luis Federico Franco Gómez, de 49 anos, é o novo presidente do Paraguai. Médico cirurgião, extremamente católico e defensor intransigente da propriedade privada, é visto no Paraguai como um defensor dos direitos dos "brasiguaios", proprietários rurais de origem brasileira que migraram para o lado paraguaio.

Como vice-presidente, Franco chefiou o país por 215 dias durante as 75 viagens internacionais do ex-presidente Fernando Lugo, cujo mandato começou em 2008 e se encerraria no ano que vem. A convivência entre os dois sempre foi conturbada. As divergências começaram ainda em 2007, durante a campanha presidencial.

Membro do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), Franco queria que a legenda fosse cabeça de chapa, mas cedeu à outra ala liberal que defendia uma composição com Lugo. "Eu não concordo com o presidente em muitas decisões de governo. Fomos eleitos juntos para governar o país, mas ele me ignorou", disse Franco na quinta-feira. Um exemplo dessas diferenças foi a decisão de Lugo de nomear Rubén Candia, um colorado, como novo ministro do Interior. "No sábado, me telefonaram para dizer que eu deveria ir ao palácio de governo, porque ele havia nomeado Candia", reclamou Franco. "Lugo nem sequer me consultou."

Antes de assumir a vice-presidência do país, Franco foi governador do Departamento (Estado) Central de 2003 a 2008 - renunciou um ano antes do fim do mandato para compor a chapa com Lugo nas eleições presidenciais. A carreira política do novo presidente paraguaio começou em 1991, na cidade de Fernando de la Mora. Franco formou-se em medicina pela Universidade Nacional de Assunção, em 1986. É casado e tem quatro filhos. Sempre esteve ligado ao movimento católico. Em abril de 2009, mostrou-se surpreso quando Lugo reconheceu que teve um filho quando ainda era bispo. "Embora seja um assunto íntimo, um presidente deve ter um bom comportamento na vida privada e pública", disse Franco.

Brasiguaios. Ao contrário de Lugo, que tinha uma tendência a apoiar o movimento sem-terra contra os grande produtores rurais, Franco aproxima-se mais dos brasiguaios. Embora mantenha certa cautela quando fala em público sobre o assunto, em privado, a amigos e aliados, ele não esconde apoiar aqueles que investem e produzem no Paraguai.

"O Brasil tem uma ideia clara: seu limite não é o geográfico, e sim o lugar onde estão seus cidadãos. Aí está a fronteira do Brasil. Mas não estou preocupado com o que o Brasil pensa. Estou mais preocupado em dar segurança jurídica aos investidores com presença do Estado", disse recentemente. / REUTERS, AFP, AP e EFE

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