REUTERS/Guadalupe Pardo
REUTERS/Guadalupe Pardo

Sucessor de presidente do Peru deixou gabinete após escândalo

O ex-vice de Pedro Pablo Kuczynski, Martín Vizcarra, enviado ao Canadá após denúncias no Ministério dos Transportes, deve cumprir mandato até 2021

O Estado de S.Paulo

21 Março 2018 | 20h30

LIMA - O ex-vice de Pedro Pablo Kuczynski, Martín Vizcarra, ganhou uma inesperada incumbência nesta quarta-feira, dia 21, um dia antes de completar 55 anos: assumir a chefia de Estado do Peru após a renúncia do presidente PPK. Sem nem mesmo ter chegado ao Peru para assumir o poder – ele é embaixador no Canadá e deve aterrissar no país nesta quinta-feira, dia 22 –, Vizcarra já enfrenta dúvidas sobre sua capacidade de completar o mandato, que vai até julho de 2021.

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Em julho de 2016, o recém-eleito vice-presidente era uma figura emergente na política peruana. Nascido em Lima, o engenheiro civil foi criado no Departamento de Moquegua, no sul do Peru e dedicou grande parte de sua vida à área de construção. Só entrou para a política em 2010, eleito governador de Moquegua. Seu governo recebeu elogios e ele surpreendeu quando decidiu não buscar a reeleição. 

Em 2016, aceitou o convite para participar da chapa de Kuczynski como seu vice. Após a vitória eleitoral, assumiu também o Ministério dos Transportes, onde começou a enfrentar seus maiores problemas. O governo decidiu ajudar com dinheiro um consórcio argentino-peruano, ao qual foi encomendada a construção de um novo aeroporto em Cuzco, e admitiu não ter recursos para cumprir o compromisso.

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A oposição acusou Viscarra de favorecer empresas privadas e lhe atribuiu delitos que não foram comprovados. Por fim, opositores recorreram a uma moção de censura por incompetência para afastá-lo do ministério. Vizcarra optou pela renúncia.

Em uma espécie de exílio, foi enviado como embaixador ao Canadá, onde manteve silêncio sobre o processo para destituir PPK. Para analistas, Vizcarra, um liberal, não mostrou jogo de cintura para enfrentar a oposição de direita radical como ministro. Por isso não está claro se o conseguirá como presidente. 

Um dos cenários, segundo a agência DPA, é que ele exerça o cargo como um virtual refém da oposição, liderada pela ex-candidata presidencial Keiko Fujimori.

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O analista político Enrique Castillo disse ao diário El Comércio que Vizcarra deverá armar “com muita inteligência” um novo gabinete, cujos integrantes possam formar pontes de diálogo com diferentes setores. 

“Um dos primeiros desafios será enfrentar a resistência interna. Inicialmente, a segunda vice-presidente Mercedes Aráoz disse que sairia do governo, o que deixaria Vizcarra sem vice-presidente. Ele terá de recompor o gabinete, pois todos os ministros cerraram fileiras com Kuczynski e praticamente quiseram forçar Vizcarra a deixar o cargo. Em caso de desistência de Vizcarra, quem assumiria seria Aráoz, a segunda vice-presidente. 

Se ele e Aráoz renunciarem , a Constituição determina que o presidente do Congresso convoque nova eleição, que escolheria não só um novo presidente, mas também trocaria todo o Parlamento. / COM EFE 

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