Sudaneses acusam EUA de apoiar eleição fraudulenta

Sudaneses acusam EUA de apoiar eleição fraudulenta

Partidos de oposição no Sudão acusam os Estados Unidos de apoiar as eleições no país, apesar das fraudes que favorecem o governo. Também nesta segunda-feira, funcionários do governo anunciaram que o período eleitoral foi estendido por dois dias após as reclamações sobre a existência de problemas em seções eleitorais.

AE-AP, Agência Estado

12 de abril de 2010 | 19h25

As primeiras eleições multipartidárias do Sudão em quase 25 anos são parte de um acordo de paz de 2005 que encerrou 21 anos de uma sangrenta guerra civil entre o sul e o norte do país e tem como objetivo dar ao país um governo eleito democraticamente, além de preparar o Sudão para um referendo, no ano que vem, sobre o status do sul.

Partidos políticos e observadores, porém, têm criticado as eleições desde antes de elas começarem, afirmando que os processo é cheio de falhas além de fortemente controlado pelo partido governante, liderado pelo presidente Omar al-Bashir, que é acusado por crimes de guerra relativos ao conflito na região de Darfur, região oeste do país.

Os Estados Unidos são um dos principais patrocinadores do acordo de paz entre o norte e o sul e têm estado fortemente envolvido com as negociações para a realização da eleição e do referendo. Um grupo de partidos opositores que boicotou o pleito acusou os Estados Unidos de apoiar as eleições fraudulentas em troca da permissão do governo para o referendo e a eventual secessão do sul.

Monitores sudaneses dizem que a votação sequer começou em algumas partes do país, particularmente no empobrecido sul. Há relatos de que algumas seções eleitorais foram transferidas sem aviso, registros de eleitores e outros equipamentos importantes desapareceram e observadores não receberam permissão para acompanhar o processo.

Numa aparente resposta, a comissão eleitoral anunciou a prorrogação de dois dias do período para votar para resolver esses problemas. Os eleitores poderão votar até terça-feira. Além do presidente, os sudaneses vão eleger a Assembleia Nacional, governos locais e Parlamentos, além do presidente do governo semiautônomo do sul do Sudão.

Apesar dos boicotes, mais de 14 mil candidatos de 73 partidos participam da eleição. A maioria dos 16 milhões de eleitores sudaneses, especialmente no sul, nunca participaram de uma eleição multipartidária antes.

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