Sudaneses pedem a presidente que não vá ao Qatar

Sábios islâmicos sudaneses emitiram neste domingo um edito religioso pedindo ao presidente do Sudão, Omar Bashir, que permaneça no país e não vá a uma reunião de cúpula da Liga Árabe por causa de um mandado internacional de prisão expedido contra ele, informou a mídia estatal. O edito, uma opinião religiosa sem força de lei, soma-se a uma série de recomendações para que Bashir não vá ao encontro de líderes da Liga Árabe, previsto para o fim deste mês no Qatar, por temores de que se tente fazer cumprir o mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) para que o líder sudanês responda por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos na região de Darfur.

EQUIPE AE, Agencia Estado

22 de março de 2009 | 16h46

"Os inimigos gostariam de nos ver divididos e jogados ao vento. E se você for ferido, toda a nação o será", segundo o edito religioso. "Do ponto de vista da Sharia (lei islâmica), você não deveria viajar ao exterior", prossegue o texto. No último dia 4, o TPI emitiu um mandado internacional de prisão contra Bashir por acusações de crimes de guerra e contra a humanidade em Darfur. De acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 300 mil pessoas morreram e cerca de 2,7 milhões foram obrigadas a fugir em cinco anos de conflito em Darfur.

A violência começou quando integrantes de tribos africanas da região pegaram em armas e rebelaram-se contra o governo sudanês. As tribos africanas queixam-se de décadas de negligência e discriminação. O governo iniciou então uma contrainsurgência durante a qual uma milícia árabe pró-Cartum cometeu atrocidades contra a comunidade africana. As informações são da Associated Press.

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