Sudão aceita força de paz mista em Darfur, diz União Africana

ONU também atuará na região; em dois anos, conflito já deixou 200 mil mortos

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h47

O Sudão aceitou o mandato e a estrutura de uma força de paz conjunta da Organização das Nações Unidas (ONU) e da União Africana (UA) a ser enviada à região de Darfur, disse nesta terça-feira, 12, uma autoridade da entidade africana. Lendo um comunicado finalizado após encontro de dois dias em Adis-Abeba (capital da Etiópia), o comissário da UA para a Paz e a Segurança, Said Djinnit, afirmou que o governo sudanês, depois de esclarecimentos feitos pela ONU e pela UA, havia aceitado o envio de uma força com algo entre 17 mil e 19 mil soldados. "O governo do Sudão acatou a proposta conjunta a respeito da operação híbrida", disse Djinnit. "Também houve acordo sobre recomendações específicas a respeito do mandato e da estrutura da operação, e sobre detalhes relativos a seus vários participantes e tarefas." Não foram fornecidos maiores detalhes, mas Djinnit acrescentou que o acordo também previa um cessar-fogo amplo e imediato, além da realização de um processo político inclusivo em Darfur. E o comissário pediu ao Conselho de Segurança da ONU que autorize sem demora o envio de uma força híbrida. Segundo Djinnit, o Sudão havia citado a questão de uma "saída estratégica" para as forças de paz e todos concordaram em avaliar a operação periodicamente. O comissário não disse em que prazo aconteceriam essas avaliações. A maior parte dos soldados seria africana, acrescentou Djinnit. No começo de 2003, em Darfur, rebeldes não-árabes pegaram em armas acusando o governo sudanês de não ajudá-los na remota e árida região em que vivem. O governo respondeu formando milícias árabes conhecidas como Janjaweed. Especialistas calculam que 200 mil pessoas foram mortas e outros 2 milhões de moradores da região expulsos de suas casas. No último ano, os grupos rebeldes passaram a se enfrentar. Cerca de 9 mil pessoas já morreram.

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