Sudão agenda diálogo com rebeldes sobre paz na região

País, em conjunto com a ONU, promove encontro com grupos; maior facção rebelde não participará

Agências internacionais,

06 de setembro de 2007 | 18h32

Rebeldes de Darfur e o Sudão agendaram conversas de paz na Líbia, para o dia 27 de outubro, segundo o governo sudanês e a ONU anunciaram conjuntamente nesta quinta-feira, 6. Mas o líder do maior grupo rebelde, o Movimento de Libertação do Sudão (MLS), disse que não vai colaborar enquanto o conflito persistir.O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, marcaram as conversas de paz para a região nesta quinta. Em entrevista coletiva conjunta em Cartum, ambos destacaram a necessidade de se obter uma solução para o conflito de Darfur, que teve início em fevereiro de 2003 e já deixou mais de 200 mil mortos. O secretário-geral da ONU explicou também que todos os grupos rebeldes aceitaram participar das novas rodadas de negociações, exceto o MSL. Abdul Wahid el-Nur, que vive em Paris, disse que não haverá um acordo a não ser que os combates cessem. "Não vamos à Líbia negociar a não ser que possamos garantir a segurança de nosso pessoal. Esse é um processo falho e o MSL não é um movimento que falha", afirmou.No entanto, o representante das Nações Unidas ressaltou que as partes envolvidas tinham se comprometido a convencer o MLS, que conta com grande apoio nos campos de deslocados de Darfur, para que participe do processo. As últimas conversas de paz para a região foram encerradas com o acordo de Abuja, assinado em 5 de maio de 2006. Mas o documento só foi firmado pela facção do MLS dirigida por Minni Arcau Minaui, atual presidente da região de Darfur. A facção menor desse grupo, o Movimento para a Justiça e a Igualdade (MJI), e outros grupos ainda menores se recusaram a participar da iniciativa. Nos últimos meses, a ONU e várias organizações internacionais denunciaram um aumento do índice de violência na região sudanesa. Na reunião desta quinta, que também abordou o destacamento dos 26 mil soldados das forças de paz mistas da ONU e da União Africana (UA) no território, estiveram presentes o presidente do Parlamento sudanês, Ahmad Ibrahim al-Taher, e o conselheiro do presidente e líder do MLS Minaui. Segundo comunicado do governo sudanês lido pelo ministro de Assuntos Exteriores, Lam Akol, o Executivo se "compromete a contribuir positivamente para a realização das conversas". Além disso, o Sudão renovou seu compromisso de cessar-fogo e de encerrar suas operações bélicas em Darfur. Em seu discurso, Ban assegurou que a escolha da Líbia se deve ao papel que sempre desempenhou este país na resolução das crises regionais. O ministro sudanês de Exteriores comentou que seis países tinham oferecido sedes para as conversas, mas que finalmente os contatos desenvolvidos pela ONU e a UA tinham desembocado na escolha da Líbia. Parecer de Ban Ban, por sua vez, elogiou a decisão do Executivo sudanês de facilitar o desdobramento das tropas conjuntas de paz. O líder da ONU acrescentou que o Sudão cederá terreno a preços reduzidos para a construção de uma sede que abrigará as forças mistas e que permitirá a introdução de materiais e armamentos militares necessários para a missão. Além disso, voltou a destacar a tristeza e a consternação que sentiu durante a visita de quarta a um campo de refugiados perto de Al-Fasher, capital de Darfur. Ban voltou a fazer um apelo à comunidade internacional a fim de que intensifique seus esforços para acabar com a situação de pobreza e o drama vividos pelos refugiados. O conflito armado nesta região teve início em fevereiro de 2003, quando o MJL e o MLS pegaram em armas contra o governo para protestar contra a situação de pobreza e abandono em Darfur. Cerca de 200 mil pessoas morreram desde então, e dois milhões mais foram forçados a abandonar seus lares e a buscar refúgio em campos no Sudão e no Chade, naquele que, segundo a ONU, já constitui um dos piores desastres humanos do século.

Tudo o que sabemos sobre:
SudãoDarfurONU

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.