Sudão aprova acordo para contingente de paz em Darfur

O Sudão aceitou em princípio a presença de um contingente misto de forças de paz da ONU e da União Africana na região de Darfur, informaram fontes diplomáticas. O acordo foi obtido ontem à noite numa reunião com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, representantes da União Africana (UA) e de outras nações que acompanham a situação da região sudanesa em conflito. O embaixador sudanês na ONU, Abdelmahoud Abdulhallem, revelou no fim da reunião a possibilidade de 11 a 12 mil soldados da UA ocuparem Darfur, com apoio logístico da ONU. Annan queria enviar à região 17 mil capacetes azuis e 3 mil policiais. Mas Cartum tinha rejeitado a presença de forças de paz da ONU, e as conversas estavam estagnadas. O acordo foi aceito em princípio pelos representantes sudaneses, mas será submetido ao governo e a decisão final será levada a uma reunião de alto nível do Conselho de Paz e Segurança da UA, dia 24 de novembro, em Brazzaville (Congo). Abdulhaleem disse aos jornalistas que foram aprovadas as fases um e dois da proposta de Annan. A primeira é o posicionamento de um grupo de 110 militares da ONU. A segunda prevê a chegada de um contingente maior, de mil integrantes, para apoiar as telecomunicações e outras áreas logísticas. A primeira etapa terá um custo de US$ 21 milhões, e a segunda, US$ 55 milhões. A parte mais difícil das negociações estava na terceira fase, a chegada de milhares de capacetes azuis a Darfur, com um custo total calculado de US$ 1,5 trilhão. "Não haverá forças de paz da ONU", insistiu o embaixador sudanês. A solução intermediária é de um contingente majoritariamente africano, sob comando da UA. Em declarações aos jornalistas, Annan confirmou a solução provisória e pediu urgência nas negociações rumo a um acordo que envolva todos os setores. "Estamos ficando sem tempo. Não podemos continuar num impasse", acrescentou o secretário-geral da ONU. Em 5 de maio, na capital nigeriana, o governo do Sudão e uma das facções rebeldes de Darfur assinaram um tratado de paz que, no entanto, não foi apoiado pelo resto dos insurgentes. A guerra começou em fevereiro de 2003, quando os grupos armados de Darfur, no oeste do Sudão, iniciaram uma rebelião contra a pobreza e a marginalização da região, na fronteira com o Chade. Desde então, cerca de 200 mil pessoas morreram e 2 milhões tiveram que abandonar suas famílias e se alojar em campos de refugiados no Sudão e Chade, no pior desastre humanitário deste Século. Annan disse que a ONU e a UA querem convocar uma reunião nas próximas semanas com as partes que não assinaram o tratado de Abuja "para resolver os temas pendentes e terminar a guerra".

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