Sudão declara estado de emergência na fronteira com Sul

Dois dias de combates deixam 21 mortos; governo de Juba promete cessar hostilidades com vizinho do norte

CARTUM, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2012 | 03h03

O Sudão declarou ontem estado de emergência em sua fronteira com o Sudão do Sul, dando às autoridades o amplo poder de prender qualquer pessoa, um dia depois da detenção de três estrangeiros - um britânico, um norueguês e um sul-africano - em uma cidade fronteiriça.

O governo do Sudão acusou os três de terem entrado ilegalmente na cidade de Heglig para espionar para o Sudão do Sul, que desmentiu as alegações e assegurou que eles trabalham com a ONU e ONGs que retiram minas terrestres e se haviam perdido.

Em Oslo, uma organização de ajuda humanitária confirmou que um de seus funcionários - Hohn Soerbe, de 50 anos, tinha sido preso.

As detenções e o estado de emergência destacam a tensão entre os antigos rivais, que no mês passado estiveram à beira de uma nova guerra por causa da retomada de combates em áreas disputadas. O Sudão do Sul - que obteve a independência nove meses atrás com base em um acordo alcançado em 2005, que encerrou uma guerra que deixou mais de 2 milhões de mortos - disse ontem que ao menos 21 pessoas foram mortas em dois dias de confrontos entre seu Exército e os rebeldes apoiados pelo governo de Cartum.

Os governos de Cartum e Juba acusam um ao outro de apoiar as milícias rebeldes em seus territórios. Ambos negam as acusações.

Ainda ontem, o Sudão do Sul informou a ONU que vai retirar seus policiais e soldados de uma área em disputa na fronteira com o Sudão, conforme exigências da União Africana, que deu três meses de ultimato aos dois lados do conflito. O novo país também manifestou seu compromisso de cessar os combates com seu vizinho do norte.

Apesar de o Sudão do Sul ter obtido independência no ano passado, os dois países não chegaram a um acordo para a demarcação de suas fronteiras e a divisão da renda do petróleo e outros recursos. / AP e REUTERS

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