Sudão do Sul completa 1 ano com vários problemas

Dezenas de milhares de sul-sudaneses se reuniram sob um sol intenso nesta segunda-feira na capital do país, Juba, para celebrar o primeiro aniversário do país mais novo do mundo, evento marcado por dificuldades econômicas e uma ameaça de guerra constante.

AE, Agência Estado

09 de julho de 2012 | 15h34

Danças tradicionais foram realizadas e as Forças Armadas do Sudão do Sul realizaram um desfile com seu armamento de guerra mais pesado: dois helicópteros de ataque. O sol estava tão forte que vários soldados tiveram de ser carregados em macas.

O presidente Salva Kiir falou sobre a principal ameaça ao país, a volta de uma guerra com o Sudão, com quem travaram uma guerra de mais de duas décadas. "Desde a nossa independência, Cartum tem violado continuamente nossa soberania por meio de bombardeios aéreos e incursões terrestres", disse ele.

O maior sucesso do Sudão do Sul em seu primeiro ano de vida foi evitar uma guerra total com o Sudão, mas essa possibilidade chegou perto. A polêmica sobre a partilha da indústria do petróleo entre os países, que antes era unificada, fez com que o Sudão do Sul interrompesse sua produção de petróleo.

E como o petróleo do Sul passa por oleodutos que correm pelo Sudão, a decisão bloqueou a principal fonte de renda de Cartum e levou à instabilidade na capital. Mas a medida também teve custos para o Sudão do Sul. Noventa e oito por cento do orçamento do país, que não tem litoral, provêm do petróleo.

O petróleo também foi o estopim de um confronto militar entre os dois países em abril, quando o Sudão do Sul tomou a disputada cidade de Heglig, responsável por mais da metade da produção petrolífera do Sudão, medida condenada pela comunidade internacional.

Mas vários dos problemas do Sudão do Sul são internos. O país tem sido assolado por confrontos étnicos, principalmente no Estado de Jonglei, onde, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) cerca de 900 pessoas foram mortas em disputas por gado e ataques retaliatórios entre o final de dezembro e início de fevereiro.

Por causa da perda dos recursos do petróleo, a inflação disparou, deixando famílias com menos alimentos. Mas a crise econômica pode ter um lado bom: as conversas com o Sudão. Como os dois países foram prejudicados pela interrupção da exploração de petróleo, Johnson diz estar mais esperançosa de que as negociações, realizadas na Etiópia, deem resultados. As informações são da Associated Press.

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