Sudão duvida que ajuda da ONU contenha violência em Darfur

Sudão levantou novas dúvidas sobre o compromisso da ONU no esforço de paz para conter a violência na região de Darfur, na quarta-feira, como por exemplo, as estratégias das tropas de paz. O comentário veio logo após o Conselho de Segurança da ONU anunciar que o presidente sudanês tinha aderido ao plano da Organização para ajudar a pôr fim no conflito - o plano inclui o envio de uma força conjunta da União Africana (UA) e da ONU. O secretário-geral Kofi Annan tinha dito ao presidente Bashir no início do mês que todo esforço seria feito para encontrar tropas africanas para formar uma força híbrida de 17.300 militares e 5.300 policiais, mas se isso não fosse possível a ONU tentaria uma força conjunta de vários países.Mas o embaixador do Sudão Abdalmahmood Abdalhaleem disse a jornalistas na noite de quarta-feira que a força híbrida pode ser menor e não ter pacificadores da ONU, apenas pessoal técnico e logístico para apoiar as tropas africanas. "A força é da África, o líder é africano", disse o embaixador. "Haverá suporte logístico da ONU, mas os enviados não se engajarão nas atividades de pacificação".A ONU dará apoio a força de paz porque os pacificadores da União Africana atualmente na região não foram capazes de sufocar em quatro anos o conflito que matou mais de 200 mil pessoas e deslocou 2,5 milhões.O conflito começou em fevereiro de 2003 quando rebeldes de tribos da África negra pegaram em armas para reclamar da discriminação e da opressão do governo árabe dominante do Sudão. O governo é acusado de mandar a milícia tribal árabe atacar os civis em uma campanha de assassinatos, seqüestros e incêndios. O governo nega as acusações.O comentário do governo sudanês causou surpresa porque al-Bashir disse em uma carta enviada a Annan divulgada na terça-feira que aceitava o envio das tropas e reafirmou para o conselho na quarta-feira que o Sudão está pronto "para começar imediatamente" os dois acordos que endossam o plano de três etapas da ONU para a ocupação de Darfur por sete mil homens da força da União Africana.Annan disse a repórteres que a primeira fase do programa da ONU já foi iniciada e "nós vamos acelerá-la - e, é claro, é um modo de testarmos a vontade do governo para cooperar".A segunda etapa consiste em enviar mais militares da ONU, polícias e pessoal civil para a força da União Africana. A terceira fase consiste no aumento da força híbrida.

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