Mosa'ab Elshamy/AP
Mosa'ab Elshamy/AP

Sudão inicia eleição presidencial e legislativa em meio a boicote da oposição

Presidente Omar Bashir deve ser reeleito; opositores dizem que repressão criou ambiente impossível para disputarem eleição 

O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2015 | 09h37

CARTUM - Os eleitores do Sudão vão às urnas nesta segunda-feira, 13, no primeiro dos três dias de votação para eleger o novo presidente e o novo Parlamento do país, em uma eleição marcada pelo boicote dos principais partidos de oposição, o que deve facilitar a reeleição do presidente Omar Hassan al-Bashir, único líder mundial com mandato em curso que é acusado de genocídio.

Enquanto for presidente, Bashir - que comanda o Sudão há 25 anos e se apresenta como responsável pela estabilidade do país - terá imunidade e não poderá ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional pela acusação de orquestrar o assassinado de 300 mil pessoas no conflito em Darfur, entre 2003 e 2008. Além dos mortos, cerca de 2 milhões de pessoas foram deslocadas de suas residências.

Em uma veste tradicional branca, Bashir chegou para votar em um colégio da capital cercado por guarda-costas. Na saída, o líder de 71 anos saudou apoiadores e afirmou que "Deus era grande", antes de entrar em um carro oficial.

A votação é a primeira desde que a parte sul do país - que representava quase um terço do antigo território do Sudão - tornou-se independente em 2011, criando o Sudão do Sul, que hoje concentra quase 80% dos locais de extração de petróleo do antigo país.

Em sua campanha, Bashir prometeu melhorar a economia do país, que sofre com altos índices de inflação e desemprego. Ele também disse que manterá a estabilidade do Sudão, apesar da instabilidade em países da região como Líbia e Iêmen.

"As eleições são melhores do que está acontecendo em outros países da região, onde há morte e assassinatos", afirmou Nadia Ahmed Abdelrahman, de 55 anos, uma funcionária pública que votava em Cartum, capital do país. "Graças a Deus estamos evitando esses problemas."

Para os opositores que boicotam a votação, porém, a repressão contra opositores, veículos de imprensa e a sociedade civil criaram um ambiente no qual é impossível concorrer contra Bashir. A União Europeia, que observou a última - e mais ampla - eleição, em 2010, criticou o ambiente político no país nos dias que antecederam a eleição.

Como resultado do boicote, os eleitores do Sudão deverão escolher entre os candidatos do Partido Congresso Nacional, de Bashir, e representantes de pequenos grupos com pouca expressão.

"Não existe material de campanha de qualquer outro candidato que o próprio Bashir. Na verdade, nem sabemos quem são os outros candidatos", afirmou Hasan, um ex-funcionário do ministério das Indústrias.

Cerca de 13 milhões de eleitores estão habilitados para a votação. Os resultados preliminares da votação devem ser divulgados a partir do dia 27. / REUTERS e AP

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