Sudão interrompe circulação de cinco jornais privados

Diários eram os últimos alvos da censura no país, que a oposição diz violar a constituição

Reuters,

16 de abril de 2008 | 16h17

Autoridades do Sudão interromperam a circulação de cinco jornais privados nesta quarta-feira, 16, na última onda de censura, segundo jornalistas. Al-Sudani, al-Ahdath, Ajras al-Huriya, al-Rai al-Shaab e The Citizen eram os últimos alvos da censura, que os partidos da oposição dizem violar a constituição. As emissoras de rádio e televisão do Sudão são controladas pelo Estado, mas os jornais particulares viviam uma certa liberdade. A censura esporádica, no entanto, foi introduzida em ocasiões sensíveis para a política. Em 2005, um acordo de paz abriu caminho para as eleições democráticas no país em 2009. Muitos partidos mostraram preocupação, alegando que o pleito poderia ser injusto sem uma imprensa livre. A direção do Ajras al-Huriya e The Citizen disseram que seus jornais pararam de circular porque publicaram artigos sobre a censura em outros três diários. O Al-Ahdath alegou que não havia nenhum motivo para a censura. "Hoje, nosso jornal foi confiscado pela segurança nacional", disse Nhial Bol, editor chefe do Citizen. "Eles nos deixaram imprimir 10 mil cópias e depois confiscaram o material. Perdemos cerca de US$ 10 mil na noite passada", acrescentou. O independente al-Ahdath também foi confiscado. "Nós imprimimos 20 mil cópias e nossas perdas chegam a US$ 12,5 mil", disse o editor chefe do jornal Adil al-Baz. As autoridades não se encontravam disponíveis para comentar o caso. Os jornais alegam que oficiais de segurança estavam visitando as redações todas as noites, para inspecionar o conteúdo dos diários e censurar qualquer informação que não gostavam. "Essa é o maior prejuízo para a liberdade de nosso país", afirmou Bol. "Isso é ilegal."

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